
1 - Calor
2 - Empurra-empurra
3 - Desconforto
4 - Insegurança
5 - Assédio sexual
Usuários do transporte público do Grande Recife podem fazer denúncias de problemas no serviço, como a superlotação dos ônibus, pelo telefone 0800.81.0158.
Quem depende do transporte público oferecido no Grande Recife, em especial dos ônibus, certamente já deve ter encarado uma viagem bem desconfortável e estressante devido à superlotação dos veículos. Seja na ida para o trabalho, pela manhã, ou na volta para casa, à noite, não são poucos os passageiros que se queixam do constante aperto dentro dos coletivos.
O arquivista e universitário Ercio Campos, 31 anos, é um entre tantos usuários do serviço que sofrem diariamente com a lotação dos veículos. Morador do bairro de Candeias, no município de Jaboatão dos Guararapes, ele já começa o dia com a certeza de que terá de enfrentar um grande desafio pela frente: se acomodar em um dos ônibus lotados da linha Candeias-Joana Bezerra.
Para chegar até a Zona Sul do Recife, Ercio encara uma viagem bem longa: são cerca de 30 minutos em pé de Candeias até Boa Viagem, bairro onde trabalha. Nesse trajeto, o estudante procura encontrar, em vão, algum lugar dentro do ônibus, se espremendo entre os outros passageiros na tentativa de se acomodar no coletivo. "A situação é precária. Todo mundo fica no aperto. É como se fosse um transporte de animal", afirma.
Durante meia hora, a reportagem acompanhou de perto o percurso que Ercio faz diariamente até Boa Viagem. Na entrada do coletivo, o primeiro desafio: chegar até a roleta para pagar a passagem de R$ 1,60. São tantos os passageiros no caminho que fica difícil até mesmo se movimentar dentro do veículo. "Tem dia que a gente não pisa nem no chão do ônibus. Pisa é no pé das pessoas", revela.
Com uma mochila na mão e a sacola da marmita na outra, o universitário se esforça para não se desequilibrar e cair com as freadas bruscas do motorista. "A gente paga uma passagem cara e não tem nem direito de ter um pouco de conforto nos ônibus", reclama. Não há um dia sequer que ele consiga se sentar no ônibus. O incômodo de ficar em pé por mais de meia hora, em um coletivo apertado, é diário na vida do universitário.
Segundo a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), os ônibus que operam no Grande Recife têm capacidade máxima para 80 pessoas, sendo 44 sentadas e 36 em pé. Na prática, no entanto, esse número não é seguido à risca. "Os motoristas não respeitam o limite de passageiros", conta Ercio. Para ele, o ideal seria que a EMTU colocasse pelo menos mais três veículos para evitar a constante lotação.
De acordo com Tarciana Ferreira, gerente de programação do sistema da EMTU, a linha Candeias-Joana Bezerra, que atualmente opera com nove veículos e realiza diariamente 70 viagens em um intervalo médio de 12 minutos, poderá sofrer alterações em sua programação caso a Empresa verifique o problema da superlotação. Segundo Tarciana, não há previsão para o aumento da frota de veículos que atendem à linha.
"Antigamente a gente tinha as vans, mas fizeram a maior questão de tirá-las para colocar mais ônibus para a população. Só que permanece esse caos", afirma Ercio. Em sua volta para casa, às 17h, a história se repete. Após um dia todo de trabalho, o estudante ainda enfrenta mais um ônibus lotado, desta vez de volta a Candeias. "Para mim, o ônibus ideal seria aquele que todos pudessem ir sentados. Mas isso parece que é impossível".
Apesar de possuir automóvel próprio, Ercio utiliza diariamente o transporte público, já que atualmente não tem condições de arcar com as despesas do combustível para o veículo. Por conta disso, já pensa em vender o carro e comprar uma moto, uma forma de gastar menos com ônibus e fugir da lotação dos coletivos. "Seria mais vantagem usar o dinheiro do vale transporte com a gasolina para a moto", diz o universitário.
Mesmo com o constante problema de lotação na linha Candeias-Joana Bezerra, a EMTU informa que a atual frota de ônibus é suficiente. Segundo a Empresa, é feito constantemente um monitoramento da linha através de pesquisas operacionais. "Caso a gente verifique a lotação dos veículos, reprogramamos a linha e colocamos mais viagens", afirma Tarciana Ferreira. Usuários podem opinar sobre o serviço através do telefone 0800.81.0158.