Um sonho desamparado
Mais de R$ 41 milhões foram gastos, nos últimos seis anos, na construção de cinco conjuntos habitacionais para moradores de comunidades ribeirinhas do Recife. Em meio à avalanche de investimentos e à correria para reduzir o déficit habitacional da cidade, estimado em 30 mil moradias, especialistas e pesquisadores alertam sobre a qualidade dessas edificações, eficácia dos projetos e metodologia utilizada para transferência das famílias. O alerta está alicerçado: dois dos novos conjuntos foram classificados em relatório preliminar do Instituto Tecnológico de Pernambuco (Itep) com grau de risco médio quanto ao nível de segurança estrutural dos prédios. Nesse cenário, muitos dos que já vivem em moradia de concreto reclamam do desamparo do poder público, enquanto moradores de palafitas sonham em sair da lama.