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Cidades de belezas naturais e contrastes sociais marcantes, Recife e Olinda completam 470 e 472 anos, respectivamente, nesta segunda-feira (12). Nas suas trajetórias históricas de lutas, um verdadeiro exército de voluntários tem feito, ao longo dos anos, a diferença no cotidiano de muita gente, realizando ações individuais nas comunidades. Eles desempenham, em alguns momentos, o papel que o poder público não tem conseguido fazer com eficácia em benefício de toda a população. São pessoas sensíveis e, muitas vezes, anônimas que doam parte do seu tempo e de suas habilidades em prol do bem comum. Em troca, recebem carinho e respeito daqueles que são ajudados e experimentam a sensação gratificante do exercício pleno da cidadania. Nesta data de comemorações, os parabéns vão também aos que tentam fazer do Recife e Olinda cidades melhores para viver.

Gente como o pediatra Márcio Diniz, 62 anos, que há quase cinco desenvolve um trabalho silencioso com jovens de baixa renda no bairro onde mora, no Poço da Panela, Zona Norte do Recife. Considerado um lugar de elite, o povoado histórico abriga desigualdades sociais gritantes. Ao lado de belos casarões, lares sem um sistema de saneamento básico adequado se misturam às margens do Rio Capibaribe, deixando as diferenças sociais ainda mais evidentes. Com uma rede, uma bola nas mãos e uma idéia fixa na cabeça, Márcio enxergou no vôlei uma forma de tirar as crianças e adolescentes que viviam ociosos das ruas e inseri-los na prática educativa e socializadora da atividade. "O esporte dá condição para que o talento de cada um sobressaia. Foi bom na quadra, as pessoas admiram e respeitam, independentemente da idade, cor, raça ou classe social", ressalta o médico, que já foi atleta reserva da seleção pernambucana juvenil de vôlei e também integrou a seleção universitária.

Dos treinos nos fins de semana até os campeonatos improvisados em um terreno baldio, a garotada começou a se unir para jogar com mais regularidade e os resultados positivos não demoraram a aparecer. Para o estudante Cássio dos Santos, 18, a iniciativa veio num bom momento. "Faltavam opções de lazer para os jovens". Anderson Pereira, conhecido como Pelé, 19, lembra: "Antes do vôlei, existia uma barreira social que prejudicava esse lado do Poço". "O vôlei ajudou a gente a interagir com toda a comunidade", completa o estudante Erik da Cruz, 18. Além da integração, o esporte também trouxe outros benefícios, como o resgate da auto-estima. "Eles começaram a descobrir que é possível vencer se houver esforço e dedicação", enfatiza o pediatra. Que o diga Natanael Almeida, 16, que era considerado pelos colegas como um dos piores jogadores do grupo e acabou ganhando uma bolsa de estudos em um colégio particular do Recife como atleta revelação. "Hoje penso até em fazer vestibular para Educação Física". Além de coordenar o vôlei, Márcio acabou se transformando em uma espécie de conselheiro para os jovens, estimulando-os a estudar e multiplicar a experiência solidária. Pelé, por exemplo, sonha em montar um centro poliesportivo no bairro. "Cada um pode dar um pouquinho de si, seja tempo, dinheiro, idéias, conselhos ou valores", ensina o médico.

Ensinamento que faz parte da vida da costureira Alice há 10 anos. Ela e o marido são assalariados, mas a má remuneração no trabalho nunca foi empecilho na hora de ajudar o próximo. "O mundo é uma grande família. Ninguém tem tudo o que quer, mas, se tem o que precisa para ser feliz, pode compartilhar o pouco que tem com quem necessita de verdade", filosofa. Alice já é uma idosa, mora e trabalha na Cidade Alta, em Olinda, e prefere não se identificar. Todo mês, ela arrecada roupas e utensílios de bebê com vizinhos, amigos e conhecidos para montar cerca de cinco enxovais e doá-los para gestantes carentes. "A maioria delas é solteira, está desempregada ou enfrenta graves problemas familiares". Antigamente, ela solicitava às clientes o pagamento da costura em fraldas, mas, com o avanço da idade, parou de costurar e passou a pedir donativos.

Alice também orienta as grávidas sobre higiene, dando dicas de como lavar e esterelizar as roupas do recém-nascido. Ela agenda as entregas por telefone e, no penúltimo mês de gestação, entrega o kit, com lençol, roupas, sabonete, toalha de banho, banheira e mamadeira, entre outros itens que são objetos de desejo de qualquer grávida. Na Rua do Desejo, no Alto do Sol Nascente, em Águas Compridas, inclusive, Alice é considerada amiga da comunidade. "Várias mulheres daqui encontraram nela o apoio que, muitas vezes, não tiveram dentro de casa. Quando engravidei, eu e meu marido estávamos desempregados. Nunca esquecemos o que ela fez por nós e resolvemos homenageá-la dando a nossa filha o seu nome", revela a cabelereira Ângela Rangel, 32.

Iniciativas simples como as realizadas por Márcio e Alice servem de exemplo para toda a sociedade e serão divulgadas regularmente pelos veículos do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (Jornal do Commercio, Rádio Jornal, Rádio JC/CBN, TV Jornal e JC OnLine) em matérias que a partir de agora receberão o selo Atitude Cidadã. No portal, o canal Cidadania reservou um espaço dedicado exclusivamente para essas produções jornalísticas do SJCC, onde os internautas poderão ainda enviar sugestões de pautas e divulgar ações que são realizadas nas suas comunidades.