ORTOPEDIA

NOVA CIRURGIA PARA TENDINITE

Médico recifense desenvolveu método cirúrgico para tratar de um tipo frequente da doença, chamado de dedo em gatilho, que causa muita dorl

Júlia Nogueira de Almeida
Especial para o JC


TRATAMENTO Mauri Cortez desenvolveu técnica inédita no
mundo para a cirurgia

Em 2009, o ortopedista recifense Mauri Cortez desenvolveu uma técnica inédita no mundo para cirurgia de um tipo de tendinite bastante frequente, conhecida como dedo em gatilho. “Trata-se de um bloqueio do dedo, que ocorre ao fechar a mão. Quando o paciente tenta abri-la, o dedo fica bloqueado, com muita dor e dificuldade para voltar à posição inicial”, explica o médico.

As principais causas do problema têm origem em tendinites de repetição, lesões por esforço repetitivo, processos inflamatórios nos tendões e reumatismo. O método é um novo tipo de liberação do dedo afetado pelo problema, de forma menos traumática. A vantagem em relação à cirurgia tradicional é o fato de ser mais rápida e menos invasiva.

Por isso, permite uma recuperação mais veloz. O retorno praticamente imediato do paciente às suas atividades habituais é o maior diferencial da nova técnica de liberação percutânea do dedo em gatilho, que consiste em fazer um furo através da pele, e não um corte, como na cirurgia convencional. Segundo Mauri Cortez, enquanto na operação tradicional o paciente sofre uma incisão de dois centímetros na mão, com a nova técnica, é feita apenas uma pequena abertura, com três milímetros de espessura.

“Além disso, é de praxe que o paciente passe pelo menos 12 dias com curativo, sem poder molhar a mão. E, em geral, indica- se fisioterapia no pós-operatório”, explica. De acordo com Cortez, como a liberação percutânea, a pessoa volta a movimentar a mão imediatamente após a cirurgia e o curativo pode ser removido dois dias depois da intervenção. “Não precisa tirar os pontos e, na maior parte dos casos, não é necessário fisioterapia”, completa.

Graças à sua inovação, o ortopedista, que integra o corpo clínico do SOS Mão (centro de referência no Nordeste em atendimentos e cirurgias dos membros superiores), foi convidado a apresentar a nova técnica no congresso da federação das sociedades de cirurgia da mão da Europa.

No ano passado, médicos ligados à organização não governamental francesa Cadeira da Esperança, parceira do SOS Mão, estiveram no Recife para aprender a técnica e já estão reproduzindo- a em cirurgias na França. Outros médicos do próprio SOS Mão também aderiram. Desde a criação da técnica, Cortez já operou mais de 150 pessoas.

Segundo ele, esses pacientes vêm sendo entrevistados para a realização de um levantamento sobre os efeitos da cirurgia. O objetivo é preparar um estudo para reforçar o respaldo do método inovador junto à comunidade científica internacional. O trabalho deve ficar pronto ainda este ano. O próximo passo é submetê-lo a uma revista científica, para publicação.