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Medicina e tecnologia unem forças no Recife

Francisco Saboia A capital pernambucana se destaca na produção de softwares de gestão hospitalar. Para o presidente do Porto Digital, Francisco Saboya (foto), a área médica é grande demandante de Tecnologia da Informação Renata do Amaral

De um lado, um pólo médico considerado um dos maiores do Brasil. Do outro, um mercado de Tecnologia da Informação (TI) que congrega incubadoras e empresas que se sobressaem pela inovação. A mistura não poderia dar outro resultado: Recife vem se destacando também na área de TI voltada para o setor médico e congrega negócios relacionados ao desenvolvimento dos dois setores. Não por acaso, os softwares de gestão hospitalar mais usados no País são produzidos em Pernambuco.

Há quem diga que o Recife chega a ser o segundo pólo médico do Brasil, atrás apenas de São Paulo. "Essa avaliação é feita pela Confederação Nacional de Saúde e leva em conta número de atendimentos, recursos tecnológicos e quantidade de leitos", explica o presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas do Estado de Pernambuco (Sindhospe), Mardônio Quintas. Para ele, a grande demanda do pólo médico ajuda a fomentar o pólo tecnológico. Quintas ressalta que a capital pernambucana é referência nacional em especialidades como oftalmologia, cardiologia e oncologia, além de abrigar ilhas de excelência como o Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip), em pediatria, e a Fundação Hemope, em hematologia.

Para o vice-presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), Eustácio Vieira, não se pode falar nesse "pódio" com tanta segurança - segundo ele, não há parâmetros objetivos suficientes para serem considerados. "Pode-se levar em conta quantidade de hospitais, número de leitos, geração de empregos e qualidade dos serviços", avalia. Para ele, o Estado compete com Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia. A própria ANAHP exige que seus sócios passem por um rigoroso processo de seleção, que inclui obter grau de acreditação 2 segundo as normas do Consórcio Brasileiro de Acreditação. No processo, observam-se tanto critérios de quantidade quanto de qualidade. Dos 38 hospitais que fazem parte da associação, quatro estão em Pernambuco, dois na Bahia, seis no Rio de Janeiro e dois no Rio Grande do Sul. "O setor de saúde emprega quase 30 mil pessoas no Recife e temos hospitais reconhecidamente com excelência de qualidade de serviços", conclui.

Com 107 organizações vinculadas, o Porto Digital atende à área hospitalar, com empresas como a Procenge e a Dínamus. "A área médica é uma grande demandante de tecnologia", diz o diretor presidente do Porto Digital, Francisco Saboya. "É muito importante promover a integração desses dois pólos que são referências nacionais", completa, frisando a expressão econômica do setor médico no Estado. Essa complementação é uma das metas atuais do Porto Digital, cujo projeto O Porto Desembarca prevê estratégias para estreitar o relacionamento entre o parque tecnológico e 12 cadeias produtivas de Pernambuco. "É preciso aprofundar mais essas relações", defende. Os cinco arranjos produtivos escolhidos para iniciar o projeto foram Porto de Suape, fruticultura, gesso, confecções e caprinovinocultura. No caso da fruticultura, por exemplo, é possível optar por um software para gerenciar a aplicação de pesticidas.

As incubadoras, espécie de berçários de novos empreendimentos, também estão de olho no filão dos hospitais. O coordenador da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Incubatep), Geraldo Magela, acredita que o pólo médico teria muito a ganhar se optasse por um modelo de gestão conjunta, como ocorre no pólo tecnológico. "Não basta ter empresas agrupadas numa área geográfica, como é o caso dos hospitais no Derby e na Ilha do Leite. É preciso haver um planejamento estratégico para a área, o que facilitaria na hora de trazer mais eventos médicos para a cidade ou de fazer compras em grupo para baratear os preços", sugere. Para ele, as ações nesse sentido ainda são dispersas e falta coordenação entre elas. Magela salienta que é possível, inclusive, publicar editais de seleção específicos para empresas incubadas voltadas para essa área. "Todos ganham com a coordenação das ações e podemos estimular empresas que atendam às necessidades específicas desse pólo", afirma.

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O setor de saúde emprega quase 30 mil pessoas no Recife e temos hospitais com excelência de qualidade de serviços Eustácio Vieira, vice-presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP)


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Publicado em 31.07.08 - Copyright © 1997- 2008, JC OnLine - Recife - PE - Brasil. - HTML e CSS válidos