Na rede privada, já não se pode pensar em gestão hospitalar sem a Tecnologia da Informação. Os programas mais usados integram boa parte dos procedimentos: da chegada do paciente à recepção ao controle do estoque da farmácia, passando pelo atendimento aos planos de saúde e pela prescrição médica. Todas essas ações podem ficar centralizadas em um só sistema.
"O uso de soluções integradas para gestão de saúde resulta em redução comprovada de 20% dos custos hospitalares", assegura o diretor financeiro da pernambucana WPD, João Amorim. O sistema de gestão para hospitais da empresa, WPDHosp, baseado em banco de dados Oracle, organiza todos os processos e pode ser customizado. "Os relatórios servem como apoio às soluções dos gestores", afirma. Segundo ele, só 3% dos mais de 7 mil hospitais privados do Brasil são informatizados e ainda há muito espaço a ser conquistado pelas empresas de TI nessa área.
Programas mais específicos também têm lugar ao sol. O diretor da Dínamus, especializada em engenharia clínica (ou seja, na manutenção dos equipamentos médicos), Reinaldo Barbosa, afirma que a área vem crescendo nos últimos anos. "É preciso prestar atenção nessa parte para aumentar a margem de lucro dos hospitais", explica. O software, desenvolvido em C#.NET, é 100% web e pode ser usado via Internet ou intranet, de acordo com a preferência do cliente. Além de acompanhar a manutenção do maquinário, é possível ainda gerenciar o consumo de água, energia elétrica e gases por meio de relatórios com gráficos e metas mensais.
O controller do Hospital Prontolinda, Ademilton Couto, só vê vantagens no uso da TI na gestão dos hospitais. "O sistema integra tudo: recepção, procedimentos, faturamento, farmácia", enumera. O médico do hospital localizado em Casa Caiada já tem acesso à ficha do paciente quando este dá entrada na recepção. Toda a gestão do procedimento acontece online: até a confecção do kit para cirurgias é solicitada aos enfermeiros com ajuda do software no hospital, que usa os sistemas WPDHosp e Dínamus Engenharia Clínica. "A medicina ganha cada vez mais valores tecnológicos e não se pode prescindir disso", opina.
O diretor médico do Prontolinda, Luiz Loureiro, engrossa o coro e considera imprescindível a TI no gerenciamento da atividade. Checar o histórico do paciente, verificar índices de valores de normalidade dos exames, partilhar informações com outros médicos e reduzir os gastos são fatores que o médico destaca. "A tecnologia é uma grande aliada da atividade médica e dá mais segurança aos setores e aos pacientes", afirma.
Para quem fica nos bastidores do hospital, a TI faz parte do cotidiano. "A tecnologia é responsável por toda a organização por trás das tomadas de decisão, mas isso, muitas vezes, nem é percebido", diz Ivaldo Macedo, o coordenador de TI do Hospital São Marcos, no Recife. Para o paciente, ele frisa que a melhoria no atendimento inclui ainda aumento da confiabilidade de estar tomando a medicação correta, com lote e validade controlados eletronicamente.
No Hospital Santa Joana, no Recife, a implementação do sistema de gestão da WPD foi acompanhada pela instalação de uma rede sem fio. "Agora o sistema começa a se aproximar mais da área operacional, ou seja, dos médicos e não só dos gestores", explica o gerente de TI do Santa Joana, Amauri Carvalho. "O médico começa a interagir com o software e usa também dispositivos móveis para isso". Carvalho frisa ainda que o paciente ganha uma segurança muito maior no atendimento, com recursos como uma pulseira com código de barras que praticamente elimina o erro nas prescrições para os pacientes internados. A novidade ainda vai ser lançada no hospital.
Voltar ao topoO prontuário eletrônico do paciente (PEP), que reúne todas as informações sobre o paciente em um só arquivo, já começa a ser usado no País, mas a passos lentos. "Existe uma discussão sobre o uso desse recurso por causa da privacidade", esclarece o diretor financeiro da WPD, João Amorim. No caso do MedView, da WPD, um dos recursos é poder cruzar todos os remédios que o paciente está tomando para verificar se há risco de interação medicamentosa, por exemplo. A base do programa fica disponível online, mas o acesso é restrito ao médico que possui a senha.
O tema é tão delicado que o Conselho Federal de Medicina já publicou resoluções com normas técnicas para garantir a confidencialidade dos dados. Entre as recomendações, está que o próprio médico digite os dados do prontuário no sistema de informação – se for o caso de pedir auxílio a um técnico administrativo, este deve assinar um termo de confidencialidade e não-divulgação. A realização de auditorias e backups periódicos também está prevista nos documentos.