Hospitais estaduais agilizam atendimento com o uso de softwares
de gestão
desenvolvidos no próprio Estado. Reservas de leitos e autorizações para
cirurgias de alta complexidade já são feitas através de programas que
aposentaram papel e caneta nas instituições, garante Ângelo Lins (foto)
Paula Schver
No organograma dos grandes centros hospitalares públicos de Pernambuco, a Tecnologia da Informação (TI) ocupa espaço cativo. É uma realidade que não olha para trás, traduzindo bits em soluções para os problemas diários enfrentados pela saúde pública. Um desenvolvimento que pode ser traduzido em números: o investimento na área de TI cresceu 60% nos últimos cinco anos, quando os sete principais hospitais estaduais do Grande Recife foram informatizados e receberam seu primeiro grande software de gestão hospitalar, batizado de Sape (Sistema de Acompanhamento de Pacientes). E a expectativa para os próximos anos é de que o orçamento destinado ao departamento triplique, dentro de uma política que busca a modernização das casas de saúde.
O Sape - desenvolvido pela Agência Estadual de Tecnologia da Informação (ATI) em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde (SES) - é responsável pela automação dos principais passos dentro dos hospitais públicos pernambucanos. O sistema é acionado tão logo o paciente chega ao centro - em ambulatório ou emergência - e dispensa o uso do papel e da caneta para agendar uma consulta; hoje o procedimento é totalmente feito no computador. É ainda utilizado pela área administrativa para calcular e registrar o movimento no almoxarifado, estoque, medicamentos e farmácia, além de permitir a interface com o programa do Sistema Único de Saúde (SUS). "Por enquanto, o sistema está nos principais hospitais do Recife, mas, em breve, estará nos regionais de Caruaru, Vitória de Santo Antão, Nazaré da Mata e Goiana", antecipa o gerente de TI da Secretaria Estadual de Saúde, Ângelo Lins.
Softwares que otimizam a procura por leitos são realidade desde 2004 na rede pública de saúde do Estado. Através de uma varredura em todo o programa que interliga os centros hospitalares do Grande Recife, a RegMed (Central de Regulação Médica) indica onde há leito disponível, de acordo com as necessidades clínicas do paciente. Até mesmo a rede privada pode fazer uso do serviço, solicitando autorização para internação que será apreciada pela Central. O programa, criado pelo ATI, também serviu de base para o Plantão Regulador, um sistema de reserva de vagas semelhante, porém focado nas UTIs, capaz de identificar para onde o paciente deve ser transferido. "Sabemos que a oferta de leitos é menor que a demanda e que, antes, era possível privilegiar um ou outro paciente. Com os softwares, essa prática deixou de existir", diz Lins.
Um dos produtos de TI de maior eficácia nos centros médicos do Estado é o Apac. O programa de Autorização para Procedimentos de Alta Complexidade extinguiu as fichas de solicitação usadas nos exames e cirurgias de alta complexidade. O que antes seguia através de malote ou era solicitado até mesmo pelo telefone - correndo o risco de falhas de comunicação - e demorava até semanas para obter uma resposta, hoje é feito quase em tempo real, via internet. Apenas nos seis primeiros meses deste ano, o programa já conseguiu beneficiar 40 mil pacientes, agilizando a liberação de procedimentos médicos como tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas.
Segundo Ângelo Lins, o funcionamento online da SES é 24 horas ao dia. Ele, porém, alerta para a necessidade de mais máquinas. "Precisamos de mais hardwares (há 800 estações, entre desktops e notebooks no Estado) e novos servidores", observa, contando que foi criado um grupo de estudo para levantar as principais necessidades visando dar maior agilidade e qualidade no atendimento ao paciente. O gerente acrescenta que, em 2009, novos módulos devem ser integrados. Um deles é o Gerenciamento Eletrônico de Documentos (GED), que além de disseminar o uso do e-mail, aumentando a economia de papel, auxilia na tramitação e procura de qualquer documento. "Mais importante que reduzir o custo do papel é, sem dúvida, evitar perda da informação sobre algum paciente", pontua.
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