Margarida Azevedo e Paulo Sérgio Scarpa
Cem anos atrás, nascia um homem que marcou a história da Igreja Católica no século 20. Com pouco mais de um metro e meio de altura, de sorriso e gestos largos, fala mansa e encantadora, dom Helder Camara seduziu o mundo. Com discurso e ação. Com teoria e prática. Um sacerdote que, embora nunca tivesse pregado a violência, construiu um modelo de atuação que atingiu, de maneira contundente, todos os setores da sociedade. Foi um dos mais ferozes lutadores contra o totalitarismo, a repressão e a dominação. Colocou pobres e excluídos no centro das atenções. Revolucionou ao fazer reforma agrária. Inovou ao urbanizar favelas e dar moradia aos mais carentes. Criou a Comissão de Justiça e Paz para, em plena ditadura militar, defender perseguidos e presos políticos. Transformou a Igreja ao participar da criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dentro do espírito do Concílio Vaticano II, do qual foi um dos mais importantes atores. Arcebispo de Olinda e Recife durante 21 anos, de 1964 a 1985, dom Helder completaria hoje cem anos. O Jornal do Commercio e o JC OnLine revelam algumas das sementes lançadas por ele que frutificaram, continuam vivas e ajudam a proliferar seus ideais. Legado que justifica o título tantas vezes concedido a ele de o Dom da Paz.