Sol à flor da pele

Mais de 115 mil pessoas terão câncer de pele em 2008

Cerca de 470 mil novos casos de câncer deverão ser registrados no País em 2008, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O tipo mais incidente será o câncer de pele não melanoma, com 115.010 casos. Em seguida, vêm: câncer de próstata (49.530 novos casos), mama (49.400), pulmão (27.270), cólon e reto (26.990), estômago (21.800) e colo de útero (18.680). A pesquisa foi divulgada no mês de novembro durante o 2º Congresso Internacional de Controle de Câncer, realizado no Rio.

Consulte a íntegra da Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil para 2008

Conheça a Campanha de Prevenção ao Câncer de Pele de 2006

A pele

A pele é o maior órgão do corpo humano. É dividida em duas camadas: uma externa, a epiderme, e outra interna, a derme. A pele protege o corpo contra o calor, a luz e as infecções. Ela é também responsável pela regulação da temperatura do corpo, bem como pela reserva de água, vitamina D e gordura.
Fonte: INCA

Como o sol age nos diferentes tipos de pele

Tipo 1 - Pele clara, olhos azuis, sardentas: sempre se queimam e nunca se bronzeiam.

Tipo 2 - Pele clara, olhos azuis, verdes ou castanhos: sempre se queimam e, às vezes, se bronzeiam.

Tipo 3 - Pele branca normal: queimam-se moderadamente, bronzeiam-se gradual e uniformemente.

Tipo 4 - Pele clara ou morena clara, cabelos castanhos escuros e olhos escuros: queimam-se muito pouco, bronzeiam-se bastante.

Tipo 5 - Pele morena: raramente se queimam, bronzeiam-se muito.

Tipo 6 - Pele negra: nunca se queimam, profundamente pigmentados.
Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia

O que é o índice IUV

O índice ultravioleta (IUV) mede o nível de radiação solar na superfície da Terra. Quanto mais alto, maior o risco de danos à pele e de aparecimento de câncer. O IUV varia em uma escala de zero a vinte e está relacionado com o fototipo da pele. Antes de ir à praia vale checar a previsão do índice. Clique aqui para saber os valores diários e atualizados do IUV.
Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia

câncer de pele

Sol: aproveite-o com moderação

por Gustavo Belarmino e Julliana de Melo
Do JC OnLine

O sol forte e a pele bronzeada dos freqüentadores de Boa Viagem, a praia mais badalada do Recife, indicam o óbvio: o verão chegou. E, no Nordeste, faz tempo - antecipando o calendário oficial, que aponta o dia 21 de dezembro como o início da estação. Debaixo dos guarda-sóis coloridos, vendendo toda sorte de produtos ou praticando algum esporte praieiro, muitas pessoas acabam esquecendo os perigos ligados à exposição inadequada ao sol. Apesar dos últimos alertas feitos pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), que prevê mais de 115 mil novos casos de câncer de pele somente em 2008 no País, não é raro encontrar banhistas e trabalhadores ignorando o preocupante prognóstico.

A reportagem visitou a praia no horário considerado pelos especialistas como o mais contra-indicado para tomar sol (10h às 16h) e observou o comportamento daqueles que fazem de tudo para obter o bronzeado perfeito. Convidamos a dermatologista Cláudia Magalhães para acompanhar as entrevistas e dar dicas aos banhistas sobre como aproveitar ao máximo a temporada mais quente do ano sem danificar a pele. "O aumento do buraco na camada de ozônio faz com que a pele seja mais lesionada pelo sol, pois existe mais radiação ultra-violeta. Em todos os países, se observa uma maior incidência do câncer de pele e isso tem relação direta com a grande exposição ao sol".

A investigação aconteceu na altura do edifício Acaiaca, um dos mais tradicionais "points" de Boa Viagem. No céu de brigadeiro, a posição do sol indicava que já era quase 11h. A temperatura passava dos 30 graus - e muita gente ainda estava chegando. Crianças, adultos e idosos dispostos a aproveitar o dia de lazer sem, no entanto, tomar as devidas precauções.

Além do uso inadequado do protetor solar por alguns, chegamos a flagrar a aplicação de óleo de amêndoas, água oxigenada e, acreditem, até Coca-cola no corpo. "Venho quase sempre à praia e não passo nada na pele, só bronzeador", disse a banhista Jannyy Souza, 38 anos, que freqüenta a praia toda semana, das 10h às 14h. A pele de Jannyy, bastante queimada e com muitas manchas, chamou a atenção da dermatologista Cláudia Magalhães. "O sol dá muita energia, mas a gente pode aproveitá-lo de modo mais saudável. Tomar sol sem proteção, ainda mais nesse horário, pode ocasionar tanto um tumor quanto envelhecimento precoce", alertou. (veja o vídeo)

De férias no Recife, o casal Henrique Leme, 33, e Daniele Ferraz, 31, provou que conhece os perigos dos raios UVA e UVB. "Apesar de estarmos na praia no horário inadequado, a gente está se protegendo com um guarda-sol e com bastante filtro solar", disse Daniele, enquanto reaplicava o produto no pequeno João, 2. Henrique lamenta apenas o preço do protetor: "Acho um absurdo. Um filtro solar para criança está na faixa de R$ 40. A maioria da população não tem acesso a esse tipo de proteção". "A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) luta para transformar o filtro solar de cosmético em medicamento. Mas ainda assim ele iria continuar caro. O problema são os impostos que incidem sobre as substâncias do produto, que são muito altos. O governo precisa ver isso como necessidade obrigatória e baixar o preço a qualquer custo, como é com o remédio para pressão ou diabetes", destaca o presidente SBD - Regional Pernambuco, Emerson Andrade.

olha o óleo

Josildo Ferreira, 24, depende da intenção dos banhistas de se bronzear ou se proteger para ganhar a vida. Ele é vendedor ambulante de protetores e óleos bronzeadores e está na praia, todos os dias, há um ano e oito meses. Josildo, talvez até mais do que os outros personagens, está exposto aos raios ultra-violeta. Mas confessa que não usa os produtos que vende. "Não gosto, porque mela o corpo e fica tudo branco", justifica. Para se proteger do sol, ele usa boné, calça e camiseta de manga - as chamadas proteções físicas, tão importantes quanto os protetores, segundo os especialistas. "O problema do câncer de pele é a radiação ultra-violeta ao longo do tempo. A população mudou hábitos, diminuindo a quantidade de roupas. As pessoas precisam entender que devem se proteger todos os dias, em todos os horários, pois os danos são acumulativos e estão chegando cada vez mais cedo e são mais intensos", ressalta Sérgio Palma, vice-presidente da SBD.

A professora Dorotéia Amaral, 60 anos, integra as estatísticas que deram ao Brasil o título de segundo país de maior incidência de câncer de pele do mundo, atrás apenas da Austrália. Curada de um carcinoma basocelular, detectado em junho de 2007, ela hoje não quer mais saber de sol. Roupas apropriadas, sombrinha e uso constante de protetor solar viraram itens obrigatórios para evitar o aparecimento de novas lesões e servem também para aliviar o sentimento de culpa que ela própria diz ter, por ter se exposto tanto na juventude. "Passeio bom era a praia e, naquela época, não existia preocupação com a pele", relembra a professora, que não dispensava o uso de bronzeadores. "Sempre tive uma grande atração pelo sol. Lembro que viajava à Argentina só para comprar Rayto de Sol (bronzeador importado famoso na década de 80). Hoje me arrependo do que fiz".

Se você quer garantir um bronzeado saudável por muitos verões, navegue pelo especial, assista aos vídeos e conheça mais sobre os tipos de câncer de pele e tratamentos, além de dicas de prevenção.

Copyright © 2007 JC ONLINE | Sistema Jornal do Commercio de Comunicação - Publicado em 21.12.07