
- O buraco na camada de ozônio potencializa a ação dos raios solares.
- Roupas claras e molhadas perdem a capacidade de proteção contra o sol.
- O protetor solar deve ser reaplicado a cada 2 horas ou após mergulho, exercício ou suor excessivo.
- Cremes autobronzeadores não fazem mal, a não ser a quem tem alergia ao produto.
- O risco de ter câncer de pele na vida adulta pode ser reduzido em 85% quando os cuidados são seguidos na juventude.
- Todos os filtros solares protegem a pele contra as ações dos raios UVA e UVB.
- O banho de sol é inofensivo antes das 10h e depois das 16h.
- Quem decide ficar na sombra está livre de sofrer os efeitos da radiação solar.
- As câmaras de bronzeamento artificial não provocam danos ao corpo.
- Apenas as pessoas de pele e olhos claros estão sujeitas a desenvolver o câncer de pele.
No lugar do filtro solar em creme ou gel, um comprimido. No início deste ano, foi lançada uma cápsula, patenteada por um laboratório espanhol, que promete efeito de filtro solar ao ser ingerida. Esta cápsula contém, além do beta caroteno e do extrato de chá verde, uma substância extraída de uma planta chamada de Polipodium Leucotomos (similar à samambaia). O protetor solar em cápsula já é uma realidade nos Estados Unidos e Europa, onde seu uso foi aprovado pelo F.D.A. e Colipa, respectivamente. A Agência Brasileira de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não liberou sua comercialização no Brasil. Por aqui, os especialistas estão otimistas, mas aguardam mais evidências científicas do produto para emitir opinião. Saiba o que pensa a dermatologista Cláudia Magalhães sobre o assunto.
Se você é um daqueles que vai à praia e fica o dia inteiro embaixo do guarda-sol, jurando que está protegido da radiação solar, um alerta: o risco de contrair doenças e demais conseqüências da exposição prolongada ao sol continua o mesmo. Os especialistas lembram que mesmo o banhista estando na sombra, os raios ultravioleta refletem na água, areia ou concreto e também podem causar danos. "A areia da praia tem microcristais. O sol bate na areia e irradia na pele. O mar também funciona como um espelho", explica o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) - Regional Pernambuco, Emerson Andrade. Essa é uma das idéias de proteção equivocadas que estão na cabeça do povo, servindo apenas para aumentar a desinformação e, pior ainda, as chances de incidência de lesões e tumores cancerígenos na pele.
Outra inverdade, bastante disseminada, é sobre os horários ditos "permitidos" para tomar banhos de sol (antes das 10h e depois das 16h). Durante muito tempo, os raios ultravioleta B (UVB), que incidem mais intensamente entre 10h e 16h, ficaram conhecidos como os únicos vilões da praia. O que poucas pessoas se dão conta é de que os raios ultravioleta A (UVA), presentes na atmosfera durante todo o dia, podem ser ainda mais prejudiciais à saúde devido à sua capacidade de agressão (Veja no BOX abaixo).
| Conheça os raios ultravioleta: | |
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| A radiação Ultravioleta (UV) faz parte da luz solar que atinge o planeta e se divide em dois tipos, cada qual com suas especificidades. Conheça, abaixo, cada um deles: | |
| UVB Os raios ultravioleta B deixam o corpo com a cor vermelho-pimentão e aquela sensação de ardência no dia seguinte. Sua radiação é cancerígena e incide com mais intensidade entre 10h e 16h, principalmente durante o verão. A exposição exagerada ao sol nesse período provoca queimaduras graves, com formação de bolhas e descamação. É a principal responsável pelas alterações celulares e lesões que predispõem ao câncer da pele. |
UVA Os raios ultravioleta A incidem uniformemente durante todo o dia, em todos os meses do ano. Eles podem ser ainda mais prejudiciais à saúde devido à sua capacidade de destruição. A radiação UVA penetra em camadas mais profundas da pele e, a médio e longo prazos, podem provocar manchas, fotoalergias, perda de elasticidade e tumores, além de acelerar o envelhecimento da pele. O UVA também está presente nas câmaras de bronzeamento artificial, em doses mais altas do que na radiação proveniente do sol. |
O casal Rodrigo Moraes, 30 anos, e Cecília Sales, 25, é adepto de caminhadas e demonstrou estar bastante consciente sobre o uso de filtros, embora não conheça os perigos dos raios UVA. "Sabemos que o melhor sol para tomar é das 8h às 10h ou depois das 15h, mas quando vimos à praia fora desses horários usamos sempre protetor solar fator 30", disse Rodrigo. Segundo a dermatologista Cláudia Magalhães, é um erro muito comum se preocupar apenas com os raios UVB: "É necessário conferir no rótulo do protetor solar se ele tem efeito de proteção UVA porque esses raios são mais lesivos. Por isso, o filtro deve ser usado o dia todo, independentemente do horário ou local", aconselhou.
O médico Emerson Andrade ainda destacou a importância do fator de proteção solar (FPS). "O FPS diz no rótulo que é de 30, só que as pessoas aplicam o filtro numa camada fina e o FPS passa para 10, 15. Quanto mais você espalha o filtro solar, mais você reduz o FPS dele", ressaltou. Existe ainda o mito de que o protetor só tem efeito até o FPS 30 e, depois desse número, não tem mais diferença. "Pelo contrário. A tendência hoje é orientar o filtro com FPS alto, para que, com a espalhabilidade, a gente consiga uma proteção solar adequada", garantiu.
Os especialistas são taxativos em afirmar que não basta fazer uso do protetor solar, tem que saber aplicá-lo e reaplicá-lo corretamente (Saiba aqui como fazer). "Muitas pessoas passam o filtro uma vez e acreditam estar protegidas o dia inteiro, quando estão absorvendo toda a radiação", completou Cláudia Magalhães. Em países nórdicos, como a Suécia, as autoridades adotaram uma medida polêmica para combater o mau uso do filtro solar e chegaram a proibir aqueles com fator de proteção maior que 15. De acordo com a medida, os produtos com FPS alto são muito fortes e, quando mal aplicados, a pessoa não fica vermelha ou sente o corpo arder, mascarando os efeitos nocivos do sol.
Um outro alerta: o protetor solar é um aliado para prevenir os carcinomas, mas ainda não está comprovado que previne o melanoma, o tipo de câncer de pele mais agressivo e fatal. Por isso, o uso de roupas e acessórios, como chapéu e óculos de sol, é considerado igualmente importante na proteção aos raios ultravioleta. Ao contrário dos que muitos pensam, as vestes claras não são as mais indicadas. Apesar de combinar com a estação, imprimindo leveza ao visual, elas deixam passar a radiação. O mesmo acontece com as roupas molhadas. "Uma camisa preta ou de cor escura protege mais porque deixa passar menos luz. Uma roupa de algodão nova protege mais do que uma velha porque as fibras estão mais entrelaçadas", explicou Emerson.
E quem acha que somente as pessoas de pele com sardas e olhos claros estão sujeitas a desenvolver o câncer de pele, o aposentado Fausto Miranda, 67, ensina: "Por ser moreno, nunca me preocupei com a pele. Até o dia em que o médico disse que eu estava com câncer", disse. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), quanto mais clara for a pessoa e quanto maior for a sua exposição aos raios solares maior será o risco de ter câncer de pele. Isso não significa dizer que os negros, com teor maior de melanina, também não estão sujeitos à doença. "Indivíduos de pele clara, sensíveis à ação dos raios solares, ou com doenças cutâneas prévias são as principais vítimas. Os negros também têm câncer de pele, normalmente, nas regiões palmares e plantares", destaca o site do órgão. A verdade é simples: quem desafia o sol e se expõe sem proteção tem grandes chances de desenvolver o mal, independente da idade ou cor da pele.