



O dermatologista Emerson Andrade explica os diversos tipos de câncer e a necessidade da detecção precoce e tratamento adequado para a cura completa da doença.
Emerson Andrade fala sobre a aplicação adequada do filtro solar e a relação do fator de proteção (FPS) com a exposição ao sol.
Após quatro anos tratando um sinal nas costas como uma micose, por falta de um diagnóstico correto, a professora Dorotéia Amaral, 60 anos, descobriu, em julho deste ano, que aquela lesão se tratava de um carcinoma basocelular, o mais popular dos três tipos de câncer de pele. Apesar das lesões cancerígenas na pele serem consideradas menos letais, a descoberta de um tumor causou uma grande preocupação na professora. "Mexeu muito com o meu psicológico, ninguém imagina desenvolver uma doença como essas", relembra.
O médico Emerson Andrade, que também é chefe do setor de Cirurgia Dermatológica do Hospital de Santo Amaro, no Recife, cuidou da paciente quando ela procurou ajuda, incomodada com os constantes sangramentos da então micose. "Quando diagnosticamos o câncer, tentamos passar isso da forma mais tranqüila possível ao paciente", comenta. Por ser uma lesão exposta, o câncer de pele é facilmente diagosticado por um médico especialista e a cura é total.
A lesão de Dorotéia apresentava microvarizes e sangrava com facilidade. Ela lembra que, ao acordar, às vezes encontrava sangue no travesseiro. De acordo com o médico, o segundo tipo câncer mais freqüente é o carcinoma espinocelular. Ele se apresenta em forma de uma lesão seca, que forma uma casquinha, principalmente na área do tórax e nos braços. Mas a preocupação de Dorotéia faz sentido. Apesar da grande possibilidade de cura, se não diagnosticado a tempo, estes dois tipos de câncer podem ser altamente destrutivos. "Já vi casos de pessoas que tiveram um câncer de pele na pálpebra e precisaram retirar o globo ocular. O paciente pode perder a orelha, o nariz, os lábios", ressalta.
Entre os médicos, no entanto, o tipo de câncer de pele mais preocupante é o melanoma maligno. Por sorte, é também o mais raro de ser diagnosticado. "O melanoma pode dar metástase, que é a destruição do órgão. Ele pode se espalhar para o pulmão, para o útero, para a mama, para o cérebro. Então, o que era apenas um câncer de pele vira câncer de tudo". O melanoma se apresenta em forma de uma mancha preta, que muda de característica, com a borda indefinida. Percebendo qualquer sinal estranho, o dermatologista solicita uma dermatoscopia, que vai identificar se a lesão é benigna ou maligna.
Ainda não existe um consenso, mas os dermatologistas não afirmam a ligação direta da exposição aos raios UVA e UVB ao desenvolvimento do melanoma. "Um carcinoma basocelular nunca vai aparecer na planta do pé ou no genital, como um melanoma", aponta Emerson Andrade.
Diagnosticado o tipo de câncer, a principal forma de tratamento é a cirúrgica. O cirurgião dermatologista retira a lesão de forma total, e o câncer é considerado curado. As técnicas de tratamento, no entanto, estão avançando cada vez mais, permitindo que as lesões sejam curadas e seqüelas como cicatrizes fiquem cada vez menos evidentes. É o caso da terapia fotodinâmica, considerada um dos mais inovadores tratamentos para o câncer da pele.
Por enquanto, a técnica está limitada ao tratamento do carcinoma basocelular e da ceratose actínica, uma espécie de lesão pré-cancerígena. Em Pernambuco, a utilização da terapia fotodinâmica foi iniciada há seis meses pelo dermatologista Emerson Andrade. No Brasil, é utilizada há cerca de um ano e meio.
O procedimento consiste em aplicar um creme (Metvix) sobre a lesão do paciente, que fica em repouso durante três horas na sala de espera. Depois deste tempo, o paciente receberá aplicação de uma luz especial que, em reação com o creme, destrói a lesão. O tratamento precisa ser repetido depois de oito dias, e o paciente pode ser considerado curado. "Uma lesão de pálpebra, do dorso nasal, da região da bochecha, que iria ser tirada cirurgicamente, deixando cicatriz, é removida com creme e luz, sem deixar marca nenhuma, com resultado estético maravilhoso", diz o médico.
A técnica foi testada pioneiramente com um grupo de 50 pacientes da rede pública, no Hospital de Santo Amaro. Atualmente só está disponível em algumas clínicas particulares do Recife. Cada sessão de terapia fotodinâmica varia de R$ 800 a R$ 1.200. "É o que há de mais moderno no mundo", enfatiza Andrade.