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Ataque
Tubarão
ataca banhista em Boa Viagem
Publicado em 27.12.1999 no JC
O
estudante Aílton Cícero da Silva, de 18 anos,
foi atacado, no final da manhã de ontem, por um tubarão,
na Praia de Boa Viagem. Em decorrência do ataque, o
rapaz teve a perna direita amputada e um ferimento leve na
mão direita. O estudante foi socorrido por dois amigos
e por um motorista de um caminhão de gelo. Eles levaram
o rapaz, às pressas, para o Hospital da Restauração,
onde ficará internado, no mínimo, por uma semana.
Aílton é a segunda vítima de ataque de
tubarão este ano na Zona Sul do Recife e a 40ª
desde 1992.
O
estudante estava nadando alguns metros depois dos arrecifes
(área proibida à prática de surfe e banho
de mar), junto com os amigos Alexandro Martins de Barros,
18, e Edélson da Silva, 18. O ataque foi rápido,
não deu para ver o tubarão. Quando dei conta,
Aílton desapareceu no mar, por alguns segundos, e voltou
à superfície desesperado, pedindo ajuda,
contou Edélson. Quando ouvi os gritos dele, me
apavorei. Fui junto com Alexandro tentar socorrê-lo,
relatou.
De
acordo com Alexandro, os três rapazes estavam tomando
banho de mar na altura do Castelinho, a cerca de três
metros de profundidade. Sempre tomamos banho naquelas
imediações. E nunca havia visto a sinalização
da prefeitura proibindo o acesso aos banhistas, comentou
Alexandro. A mãe da vítima, Erenice Maria de
Faria, chegou ao HR minutos depois de Aílton ser atendido
pelos médicos de plantão do hospital. Só
fiquei sabendo do ocorrido por intermédio dos rapazes
que estavam com ele. E agora, como vai ser viver com um filho
aleijado?, lamentou.
Segundo
o chefe de plantão da Unidade de Trauma do Hospital
da Restauração, Josemberg Campos, que socorreu
o estudante, Aílton teve todos os vasos sangüíneos
da perna direita rompidos e perdeu cerca de dois litros de
sangue. O estudante só sobreviveu porque antes
de ser levado para o hospital, os amigos conseguiram estancar
o sangue do rapaz, enrolando um pano em sua perna, afirmou.
Caso não tivessem tomado essa iniciativa, ele
não teria resistido aos ferimentos.
Campos
contou, ainda, que assim que deu entrada no HR, Aílton
encontrava-se em estado de choque hipovolêmico (provocado
pela perda de grande quantidade de sangue). Apenas um
único osso de sua perna, a tíbia, não
foi atingido pelo tubarão. Mesmo assim, fomos obrigados
a amputá-lo do joelho para baixo. Havia risco de o
ferimento infeccionar e atingir a coxa, ressaltou. Aílton
foi operado ontem no HR e não corre risco de vida.
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