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Ataque
Tubarão mata mais um banhista
Publicado em 07.03.2001 no JC

Corpo dilacerado foi encontrado em frente ao Edifício Acaiaca, segunda-feira. Identidade não foi confirmada, mas há suspeitas de que trata-se do estudante Carlos Brasileiro

O Instituto de Medicina Legal (IML) confirmou, ontem, a primeira morte por ataque de tubarão este ano. A vítima ainda não foi identificada, mas há suspeitas de que seja o estudante Carlos Alberto Brasileiro, 19 anos. Ele está desaparecido desde sábado, quando saiu para ir à Praia de Boa Viagem. O corpo foi encontrado em frente ao Edifício Acaiaca, anteontem à tarde. Este é o 41º ataque de tubarão registrado no litoral pernambucano em nove anos, segundo o Corpo de Bombeiros.

O cadáver estava sem os órgãos internos e com partes da perna e do braço direitos mutilados. Por conta da dilaceramento, a família de Carlos Alberto não conseguiu reconhecer o corpo. “Embora tenha sunga, altura e arcada dentária parecidas, estamos com dúvidas”, disse a irmã do banhista, Alexsandra Virgínia Brasileiro, 23. Ontem, o Instituto Tavares Buril (ITB) não conseguiu analisar as impressões digitais do cadáver porque não encontrou o fichário do estudante. Hoje, o IML realizará o exame da arcada dentária.

Mesmo antes de obter o resultado do teste, Alexsandra acredita que há grandes chances de a vítima ser seu irmão. “Carlos saiu para me encontrar na praia por volta das 13h do sábado, mas não nos vimos. Fui para casa, esperei por ele e nada. Fomos às delegacias da cidade e aos hospitais, sem conseguir localizá-lo. Como meu irmão só gostava de nadar no fundo, depois dos arrecifes, acho que o tubarão pegou ele”, explicou.

Para Fábio Hazin, coordenador do Laboratório de Oceanografia Pesqueira da UFRPE, o animal que atacou deve ser das espécies cabeça-chata ou tigre, responsáveis por outras ocorrências em Pernambuco. O pesquisador lembrou, no entanto, que esses casos são pouco comuns no mês de março. Além disso, a Lua estava no quarto-crescente e a maré era seca. “Os tubarões costumam agredir nas luas nova e cheia, com maré alta e nos meses de julho, agosto e setembro”, esclareceu.

Enquanto o Corpo de Bombeiros registrou 41 ataques de tubarão desde 1992, a UFRPE contabilizou, até 1999, 32 incidentes dentro dos padrões científicos. Os pesquisadores não levam em conta os afogamentos seguidos de mordidas de tubarão.

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