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Ataque
Surfista
atacado por tubarão
Publicado em 10.07.2002 no JC
O
estudante estava surfando, ontem, na Praia de Piedade, em
Jaboatão dos Guararapes. Ele perdeu a mão e
a metade do antebraço direito
O
estudante Mário César Carneiro da Silva, 22
anos, foi atacado ontem à tarde por um tubarão
quando surfava na Praia de Piedade, em Jaboatão dos
Guararapes. Ele perdeu a mão e metade do antebraço
direito. O jovem foi submetido a uma cirurgia, no Hospital
da Restauração (HR), para regularizar os bordos
da ferida e cobrir o osso, que ficou exposto. Ele não
corre risco de morrer e deve ter alta em 48 horas.
O
ataque de tubarão a Mário é o primeiro
deste ano em Pernambuco e o 42º registrado nos últimos
10 anos no litoral do Estado, segundo o Corpo de Bombeiros.
O último ocorreu no dia 3 de março de 2001,
em Boa Viagem, no Recife, e resultou na morte do estudante
Carlos Alberto Brasileiro, 19 anos. Até agora, 11 pessoas
morreram atacadas por tubarão.
O
surfista Márcio Pereira, 18, que estava na Praia de
Piedade, foi o primeiro a socorrer o amigo. Era perto
de 15h. Ele estava com mais duas pessoas no mar, com a água
encobrindo os dois. De repente, Mário se deitou na
prancha e começou a gritar socorro, tubarão,
tubarão e a mostrar o braço. Uma onda
mais forte trouxe a prancha para o raso, com a água
batendo na cintura dele. Aí corri pra ajudar. Tirei
minha camisa e amarrei em seu braço, relatou.
Segundo
ele, enquanto esperava ser socorrido, Mário, tremendo,
olhava o braço e dizia que estava fraco e perdendo
a visão. Saí pedindo socorro. Um caminhão
que passava na hora levou meu amigo para o Hospital da Aeronáutica,
contou Márcio. Por causa da gravidade do ferimento,
ele foi transferido para o HR.
O
autônomo Carlos Pedro Xavier, que viu o rapaz ser socorrido,
disse que onde ele surfava, na frente do Hospital da Aeronáutica,
aparece muito tubarão, quando chove. O barraqueiro
João Inácio da Silva, que vende lanche no local,
confirmou. Há oito anos trabalho por aqui e nunca
tomei um banho de mar nesse trecho por causa dos tubarões.
O
estudante deu entrada no HR às 16h10. O cirurgião-geral
Gustavo Menelau, chefe da emergência, informou que Mário
chegou consciente, contando que tinha sido mordido por um
tubarão. Ele disse que estava surfando quando
sentiu uma pressão no braço. Depois já
viu o sangue escorrendo, comentou o médico. O
rapaz entrou imediatamente no bloco cirúrgico. A operação
terminou por volta das 19h e ele foi levado para a sala de
recuperação.
Os
irmãos Marcos e Lourdes foram os primeiros a chegar
no HR. Marcos evitou falar com a imprensa e não quis
ser fotografado. Lourdes contou que a família sempre
pedia a Mário para não surfar onde tem tubarão.
Mas ele não queria saber. Os pais, que
apareceram às 17h50 no hospital, contaram a mesma coisa.
Vivia dizendo pra ele não surfar nessas praias,
mas ele respondia que o surfe é a vida dele,
disse a mãe, Valdomira Carneiro da Silva.
Evangélica,
ela contou que sempre orou muito para o filho deixar de surfar,
o que faz desde os 13 anos. Há uns três
anos, quando o surfe foi proibido nessas praias daqui, tomaram
a prancha dele. Fiquei satisfeita. Mas ele voltou a surfar
em Porto de Galinhas, relembrou.
Segundo
ela, se fosse obediente, Mário não teria sido
atacado por tubarão. Meu filho não escutava
conselho. E eu não podia fazer nada, a não ser
orar, porque ele já tem 22 anos. Quero ver agora como
vai ser para usar o computador e tocar o violão, que
adora, lamentou. O surfista faz supletivo do ensino
médio, não trabalha e reside em Massaranduba,
Jaboatão dos Guararapes. O pai, Narciso Vitalino da
Silva, estava mais tranqüilo porque o filho está
fora de perigo.
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