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Ataque
Turista
é atacado por tubarão em Boa Viagem
Publicado em 22.08.2004 no JC
O comerciante Wagner da Silva, 25 anos, que mora em São
Paulo, tomava banho de mar na frente do Edifício
Portugal. Ele sofreu ferimentos nas mãos e na perna
direita, foi levado para o HR e não corre risco
de morrer
Mais
um ataque de tubarão o sexto deste ano
ocorreu ontem à tarde na Praia de Boa Viagem, na Zona
Sul do Recife. A vítima foi o comerciante Wagner da
Silva, 25 anos, o primeiro turista entre os 45 casos contabilizadas
desde 1992. O peixe mordeu as mãos e a perna direita
de Wagner, morador de São Paulo, que se submeteu a
uma cirurgia reparadora no Hospital da Restauração
(HR) e não corre risco de morrer.
O incidente ocorreu por volta das 13h, em frente ao Edifício
Portugal, na Avenida Boa Viagem, nº 3.500. O comerciante
se encontrava além dos arrecifes, com dois parentes,
quando o tubarão surgiu. Foi tudo de repente.
Wagner estava sozinho, um pouco mais no fundo, quando começou
a gritar. Puxamos ele até a praia e só então
vimos os ferimentos, contou Demócrito Veras da
Silva, 35, tio do rapaz. A vítima estava com água
na cintura, a uma profundidade de cerca de um metro.
O
tubarão, segundo pesquisadores da Universidade Federal
Rural de Pernambuco (UFRPE), era provavelmente um tigre com
cerca de 1,5 metro. As marcas da mordida do tigre são
triangulares, enquanto as do cabeça-chata, a outra
espécie de tubarão responsável pelos
ataques, são pontiagudas, explica o engenheiro
de pesca Fábio Hazin, professor da UFRPE e coordenador
do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidente com
Tubarões (Cemit).
Wagner,
que nasceu em São Paulo, é filho de pernambucanos
e costuma passar férias todos os anos no Estado, em
casa de parentes em Tabira, no Sertão, e em Candeias,
no Grande Recife. Ele mora em Diadema, na Grande São
Paulo, onde atua no setor de armazéns. A tia do rapaz,
Maria Leônia Veras, 49, reclamou que não havia
advertência sobre o risco de ataques no local do incidente.
Não tinha nenhuma placa. Acho que os próprios
barraqueiros podiam orientar sobre esse risco , sugere.
A
placa educativa mais próxima fica a cerca de 300 metros,
em frente ao Edifício Acaiaca. Ela conta que o grupo
pretendia tomar banho nas imediações da Igrejinha
de Piedade, mas acabaram indo para Boa Viagem. Um salva-vida,
segundo o Corpo de Bombeiros, estaria se dirigindo aos banhistas
para pedir a eles que saíssem da área, quando
o incidente ocorreu.
Embora
esteja no período de maior incidência de ataques,
que se estende de julho a setembro, o incidente de ontem fugiu
ao padrão. De acordo com as pesquisas da UFRPE, a maioria
dos casos ocorreu na maré-alta, na Luas Cheias ou Nova,
quando chove e no início ou fim da tarde. O de ontem
foi às 13h, a maré estava baixa e a Lua, entrando
na fase Quarto Crescente.
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