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Ataque
Tubarão
mata surfista em Olinda
Publicado em 19.06.2006 no JC
Humberto Batista, 27, praticava body-boarding na Praia de
Del Chifre quando foi atacado. Ele não resistiu aos
ferimentos e morreu minutos depois
O
surfista Humberto Pessoa Batista, 27 anos, foi atacado e morto
por um tubarão por volta das 9h de ontem, na Praia
de Del Chifre, no bairro de Salgadinho, em Olinda, quando
praticava body-boarding a 30 metros da costa e a uma profundidade
de cerca de três metros. Humberto pegava onda com outros
30 surfistas e foi mordido na coxa esquerda pelo animal. Ele
ainda chegou a gritar avisando aos amigos sobre o ataque,
mas não resistiu ao ferimento. Desde 1992, houve 49
ocorrências de ataque de tubarão em Pernambuco,
com 18 mortes. É o terceiro deste ano e o primeiro
com morte. Oficialmente, trata-se da primeira ocorrência
do gênero naquele trecho do litoral do Grande Recife.
O último ataque ocorreu em Boa Viagem, no dia 21 de
maio.
A mordida provocou o rompimento de uma artéria femural
e o rapaz faleceu em poucos minutos. A praia não dispõe
de guarda-vidas e foi excluída da área de restrição
à prática do surfe pelo Comitê Estadual
de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit)
no início deste ano. Amigo de infância de Humberto
e também surfista, Ítalo Ricardo Alves Coutinho,
28, estava na água com o colega. Eu tinha acabado
de descer a onda e, quando olhei para o mar, vi Humberto ser
puxado e o sangue se espalhar. Ele gritou que era tubarão
e saímos da água. Logo em seguida, eu retornei
com outras duas pessoas para retirá-lo, contou.
Segundo
Ítalo, Humberto já estava desacordado quando
foi resgatado. Havia muito sangue. Nós o colocamos
num carro e o levamos para uma unidade do Corpo de Bombeiros.
Depois, fomos para o Hospital da Restauração
(HR). Ítalo disse, ainda, que ele e o amigo surfavam
no lugar há dez anos.
O
surfista deu entrada no HR em estado grave, 20 minutos depois
do ataque. Segundo a chefe do plantão do hospital,
Ana Cláudia Luna, Humberto apresentava um quadro de
parada cardiorrespiratória. A perna esquerda estava
desarticulada, presa apenas pela pele. Os médicos tentaram
reanimá-lo. A mordida tinha 35 centímetros de
extensão, de acordo com o coronel do Corpo de Bombeiros
Neyff Souza, que ajudou no socorro à vítima.
Humberto
residia em Arthur Lundgren I, em Paulista. No HR, a mãe
do surfista, a dona de casa Maria Auxiliadora Pessoa Batista,
contou ter pedido para que o filho não fosse surfar.
Ele não me escutou. Jovem quando coloca uma coisa
na cabeça, não tem quem tire. Beto (como era
chamado) gostava de surfar e dizia que o lugar onde surfava
era seguro, comentou.
Surfistas
acostumados a pegar onda em Del Chifre garantiram que foi
a primeira vez que se registrou ataque de tubarão no
local. O coronel Neyff, no entanto, informa que, em 1992,
uma mulher desapareceu na praia e que, dias depois, o corpo
foi encontrado com mordidas semelhantes as de tubarão.
A maré estava alta e a água, turva, durante
o ataque de ontem. Além disso, o local é mar
aberto, sem a proteção natural de arrecifes.
Segundo
especialistas, provavelmente o ataque foi praticado por um
tubarão cabeça-chata, espécie encontrada
com freqüência próximo à costa por
ter hábito de nadar nas proximidades da foz de rios.
O corpo do surfista será velado hoje de manhã
na Matriz de Paratibe, em Paulista, pois ele e a família
participavam das atividades da paróquia. O enterro
ocorrerá à tarde, no cemitério da cidade.
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