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DIÁRIO DE BORDO
Marinheiro de primeira viagem
Publicado em 24.08.2006

Quem está na praia de Boa Viagem e vê, ao longe, um barco de madeira passando e recolhendo as redes muitas vezes nem sabe que ali está sendo desenvolvido um trabalho de pesquisa científica. E quem nunca viajou num desses, também não imagina o quanto balança e dificulta o equilíbrio dos tripulantes. Neste pequeno diário de bordo, você vai saber um pouco mais sobre a aventura do embarque no Sinuelo.

Por Gustavo Belarmino

4h45 - O repórter chega ao dique de Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. O Sinuelo, maior e mais iluminado barco da praia, já estava à espera. Para ir até ele, foi preciso uma pequena jangada, chamada pelos pescadores de "catraia".
5h - Embarque no Sinuelo. O sol ainda não havia aparecido no horizonte, mas o dia já começava a clarear. Hora de conhecer a equipe, se familiarizar com o barco e com o balanço do mar. O nascer do sol é um espetáculo à parte.
5h15 - O café-da-manhã já estava pronto. Pães, ovos, salsicha. Para não enjoar, o bom e velho Dramin. Um único comprimido foi suficiente para segurar o estômago durante toda a viagem, apesar do balançado intenso.
5h30 - A missão agora era intercalar os equipamentos - câmera digital, filmadora, bloco de anotação e gravador. Tudo com uma única mão e a outra para se equilibrar. Neste momento, as primeiras linhas de espera já haviam sido substituídas.
6h - Os espinhéis já estavam sendo recolhidos quando veio o primeiro bagre da viagem. Pela falta de tubarão e outros animais marinhos, a espécie foi a única - com exceção de um golfinho ao longe e uma gaivota que pulava de bóia em bóia -a ser vista nesta viagem.
8h - Depois de todo o processo de recolhimento, seguimos em direção à Praia de Del Chifre, em Olinda. É impressionante como o tom de cor da água muda no sentido norte do Grande Recife. Perde o azul turquesa do Paiva e fica mais turva, mais marrom.
12h30 - O barco pára no dique de Barra de Jangada e o almoço está servido. Frango com legumes, arroz, macarrão com ovo e feijão - além da salsicha que sobrou do café-da-manhã. Dimonique, nossa chefe de expedição, preparou tudo. Os pratos, cada um que lavasse. No mar, é claro.
13h - Pane na bateria da filmadora. Dimonique, que mora perto da praia, aproveitou a parada do almoço, desceu em uma catraia e passou 40 minutos carregando o equipamento para que filmássemos o restante da viagem. Almoçou após o restante da equipe.
13h30 - O pessoal da tripulação preparou uma armadilha enquanto esperava o retorno de Dimonique, para pescar siris no mar. Naquele local, duas ou três pessoas praticavam windsurfe apesar das placas proibindo esportes no local.
14h - O barco continua a viagem, para reposição dos espinhéis. A falta do protetor solar já estava evidente. A melhor coisa era permanecer à sombra. A essa altura, o "efeito almoço" dá aquele sono...
15h - No Sinuelo, banho, necessidades fisiológicas, dormida, tudo é mais complicado do que em terra. Para o banho, garrafas pet com água e um "reservado", logo nos fundos do barco. Vale o código de ética. Quando mulher vai usar, os homens vão para a frente do barco.
16h - As camas também são estreitas. Um dos principais trabalhos para dormir é conseguir se acostumar ao balanço do mar. Seu Paulo, o capitão, em dias de vento, dorme pouco com medo de o barco ser arrastado.
17h - A visão dos prédios do Recife com o sol se escondendo por trás é das mais belas. Logo mais, a noite vai cair e as luzes dos prédios iluminarão a praia. O trabalho no Sinuelo é exaustivo. E não pára até por volta das 18h.
18h15 - Termina nossa viagem ao Sinuelo. Na praia, quase deserta, não havia catraias disponíveis. O mar estava enchendo e, caso não desse para descer, teria que dormir no barco. Seu Paulo encostou de proa até onde deu e tive que pular na beira do mar.
18h30 - Últimas imagens do Sinuelo, já à noite. Hora de voltar para casa, com horas de fita para decupar e histórias de pescador para contar.
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