| IDÉIAS
Governo
planeja, enfim, montar um oceanário
Publicado em 08.08.2006
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| Fred
Martins propõe uma ponte com o turismo de guerra para atrair
turistas ao Estado |
Após 50 ataques e 19 mortes no Grande Recife, as secretarias
de Turismo do Recife e do Estado começam, enfim, a se
mobilizar no sentido de transformar o temível tubarão
no amigo do turista. O secretário de Turismo de Pernambuco,
Laedson Bezerra, informa que um oceanário, antiga reividincação
do setor, poderá ser construído dentro do Espaço
Ciência, no Complexo Salgadinho, em Olinda. "No
lugar, já existe shopping, Centro de Convenções,
casa de shows. O oceanário faria parte daquele complexo
turístico." Ele, porém, não adianta
prazos.
Laedson
informou que, nesta semana, tem reunião agendada
com o Comitê Estadual de Monitoramento dos Incidentes
com Tubarões (Cemit) e que, junto com as prefeituras
de Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes (orla pernambucana
onde os ataques aconteceram), vai colocar no papel todos os
projetos a serem realizados no mais curto espaço de
tempo possível. "Por que não fazer do limão
uma limonada?", brinca o secretário, referindo-se às
vantagens que o tubarão pode trazer ao turismo local.
O
secretário de Turismo do Recife, Samuel Oliveira,
diz que ainda este ano as autoridades governamentais planejam
pôr em prática ações no que diz
respeito à dobradinha turismo/tubarão. "Vamos
utilizar o trabalho desenvolvido pelo Cemit e, assim, estaremos
vendendo segurança na praia." O secretário
disse, ainda, que o projeto inclui capacitação
de profissionais ligados ao turismo, como recepcionistas de
hotel e barraqueiros.
O
turismólogo pernambucano Fred Martins, que teve o
pé esquerdo decepado após um ataque de tubarão
enquanto surfava na praia de Boa Viagem, em 1994, tem várias
idéias para o setor tirar proveito dos peixes. "Poderíamos
fazer uma ponte com o turismo de guerra, como, por exemplo,
quando pessoas visitam campos de concentração
na Europa. Recife precisa incorporar o tubarão a ela. É uma
situação nova e devemos encará-la de forma
inteligente", raciocina.
Fred
acredita que, em vez de a cidade ficar conhecida como a que
tem o
maior índice de ataques de tubarão
no País, poderia inverter a situação. "Por
que não termos uma exposição permanente
sobre os tubarões, mostrar os benefícios que
ele traz à medicina, elaborar um roteiro turístico
sobre seu percurso ou ter um orelhão com a forma de
um tubarão sorrindo no calçadão? Ele poderia
ser amigo do turista, não aquele monstro; era preciso
trocar o anúncio das placas da praia e dizer os cuidados
que se deve tomar, no lugar de anunciar 'perigo'."
O
presidente da ABIH-PE, José Otávio Meira Lins,
também aposta no turismo temático como um produto
que o Estado pode oferecer a seus visitantes. "Somos a
favor de um lugar onde o turista pudesse se informar sobre
tubarões. Já apresentamos ponto de vista favorável à criação
do oceanário às autoridades." Para ele,
quatro medidas devem ser tomadas pelas autoridades: "Informar
turistas e, principalmente, a população do Estado
para não mistificar o problema; fiscalizar, porque muitos
banhistas costumam não seguir à sinalização;
aumentar o socorro nos primeiros cinco minutos com médicos
especializados para atender o acidentado; e manter as pesquisas
feitas pela UFRPE."
Atualmente
no Grande Recife, o único lugar em que é possível
ver tubarões com segurança é no Horto
de Dois Irmãos, onde existem as espécies lixa
e bambu listrado. (P.S.) |