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OPINIÕES
Divergências sobre o futuro do surfe
Publicado em 15.08.2006

Fábio Quencas é presidente da Associação Surfe Master

Se no bodyboard o discurso está afinado, no surfe a situação é um pouco diferente. Para alguns, o pior já passou e a geração que está nascendo em Maracaípe e Porto de Galinhas vai fazer Pernambuco entrar na rota de campeões novamente. Já outros acreditam que o Litoral Sul não vai render tantos frutos quanto os áureos tempos de Boa Viagem - lá a quantidade de surfistas é bem menor que na Região Metropolitana do Recife.

Na lista dos otimistas está o diretor-executivo da Federação Pernambucana de Surfe, Geraldo Cavalcanti. Para ele, o pior momento já passou. Foi na segunda metade da década de 90, com a proibição da prática do surfe em toda a orla de Boa Viagem, Piedade e Candeias, principalmente. "Temos uma geração boa nascendo em Porto de Galinhas. Eu destacaria nomes como Luel Felipe, de 15 anos, e César Molusco, 16", diz. O maior expoente dessa safra é Bernardo Pigmeu, que disputa o WQS (World Qualifyng Series), espécie de segunda divisão mundial do surfe.

Para Geraldinho, como é conhecido, a realização de grandes eventos em Maracaípe vem ajudando no surgimento de novos talentos. "Foi uma questão de adaptação. Pernambuco está voltando a ser um celeiro de talentos no esporte", apontou.

Porém ele admite que, mesmo com gente boa, ainda há problemas a resolver. Um deles é no grau de instrução dos surfistas e como lapidá-los. "Não sabemos se o atleta está se alimentando bem, como está treinando, se tem roupa apropriada. Para trabalhar a parte técnica, fica um pouco difícil. Na Região Metropolitana, era mais fácil nesse ponto", explica.

No lado dos descrentes está Fábio Quencas, presidente da Associação Surfe Master. Para ele, a nova geração é de apenas três nomes, muito pouco comparando-se com o potencial dos tempos pré-ataques. "Na década de 1980, tínhamos cinco nomes em Piedade, cinco em Candeias e outros dez em Olinda. No circuito nordestino, sempre havia surfistas de Pernambuco entre os quatro primeiros colocados", lembrou.

Hoje, diz Fábio, além da dificuldade para os surfistas deslocarem-se para Gaibu, Maracaípe e Porto de Galinhas, o surfe também enfrenta o medo dos pais em presentear os filhos com uma prancha e das próprias crianças. Ele cita como exemplo a sua situação. Pai de Pedro, 12 anos, Fábio já se pegou contemplando as ondas de Piedade com o filho. "Às vezes, digo a ele: 'Olha essa onda, filho. Imagina nós dois surfando nela'. Ele responde: 'Pai, você quer que eu vire comida de tubarão?'"

ONG - Rômulo Bastos, da Organização Não Governamental Praia Segura, acha que a Federação Pernambucana de Surfe poderia ser mais ativa no sentido de amenizar o problema. Para ele, parte dos recursos que o Governo do Estado repassa à entidade poderia ser destinada a algumas ações, como, por exemplo, proporcionar transporte para os surfistas da Capital para o Litoral Sul. "Isso foi feito por volta de 1994 por uma loja de surfe. Durou um ano", explica.

A ONG Praia Segura está tentando instalar uma tela de proteção no mar, da mesma maneira que é feito em Hong Kong, onde não se registra um ataque de tubarão há 12 anos. "A tela ficaria num trecho de 100 a 300 metros de extensão. O material seria idêntido ao de Hong Kong", afirma. (W.P.)

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