| TURISMO
Países
campeões em ataques lucram com mergulho
Publicado em 08.08.2006
Como
tirar proveito dos tubarões e passar a considerá-los
atrativos turísticos no Recife é o grande desafio
enfrentado pelo trade, autoridades e pela iniciativa privada
do Estado. Em países como Estados Unidos, África
do Sul e Austrália (que registraram, respectivamente,
os maiores índices
de ataques de tubarão entre os anos de 1990 e 2005),
o mergulho com os enormes peixes é algo comum
e chama a atenção de curiosos do mundo inteiro,
movimentando fortemente o turismo local. O body-boarder pernambucano
Diego
Cabral já esteve em ilhas como a Bora-bora e a Moorea,
na Polinésia Francesa, onde teve contato direto com
os animais. "Com a água no joelho, dezenas de tubarões
de até 2,5 metros vêm buscar comida na sua mão.
Na Indonésia, eu estava surfando e um tubarão
de 4 m passou ao meu lado".
Gansbaai,
localizada na Cidade do Cabo, África do Sul, é conhecida
como a Capital Mundial do Tubarão Branco. Por lá,
turistas embarcam em uma gaiola rumo ao encontro com os "grandes
predadores do mar". Dependendo do pacote, o safári
subaquático tem preços a partir de cem dólares.
Em Nassau, capital das Bahamas, arquipélago com mais
de 700 ilhas, próximo aos Estados Unidos, mais de 12
mil mergulhadores do mundo inteiro estiveram naquelas águas.
Stuart Cove, lendário personagem da região que
deu início ao shark diving em 1978, cobra 210
dólares
pelo curso (que ensina a evitar acidentes com tubarões)
+ o mergulho.
| ATAQUES
E FATALIDADES ENTRE 1990 E 2005 |
| Países |
Total
de ataques |
Ataques
fatais |
Índice
de fatalidade |
Última
fatalidade |
| EUA |
523 |
12 |
2% |
2004 |
| África
do Sul |
76 |
9 |
12% |
2004 |
| Brasil |
67 |
17 |
25% |
2004 |
| Austrália |
74 |
18 |
24% |
2005 |
| Mundo |
870 |
108 |
13% |
2005 |
|
O
presidente do Instituto Oceanário, Alexandre Carvalho, que
mergulha profissionalmente desde 1981, esteve nas Bahamas
em janeiro deste ano, onde encontrou, a 12 metros de profundidade,
os tubarões. De acordo com Carvalho, são cerca de 15 pessoas
na embarcação que fazem duas descidas: a primeira em paredões
de corais para visualizar e apreciar os tubarões, e a segunda,
munido com iscas de peixes. "Todos descemos da embarcação
e formamos um semi-círculo de joelho, enquanto a equipe alimenta
os animais. Cria-se um frenesi; são 50 tubarões de arrecifes
em sua volta", conta.
O
presidente do Cemit (Comitê Estadual de Monitoramento
dos Incidentes com Tubarões), Fábio Hazin, acredita
que a Praia de Boa Viagem não poderia sediar eventos
deste porte. "Capturamos uma média de um tubarão
ao mês na praia. Aqui não são os mares
do Caribe. Se uma pessoa mergulhar e encontrar um tubarão
aqui vai ganhar um prêmio. Não tem como funcionar",
diz. O coordenador do Instituto Praia Segura, Sérgio
Murilo, aponta outro fator negativo para a questão. "A água
daqui é turva. Não é tecnicamente viável." Para
o biólogo marinho carioca Marcelo Szpilman, que
mergulhou na África com tubarões cabeça-chata
e tigre (espécies existentes no nosso litoral), é possível
adequar o projeto visto em outros países no Recife. "O
mergulho pode representar uma fonte de atração
para o Turismo muito grande." A proposta de Szpilman é aproveitar
o fato de a cidade ter um dos maiores índices de naufrágios
do País (com cerca de cem embarcações)
e, aliado à possibilidade de encontrar tubarões,
promover tais mergulhos. Eles seriam realizados a 28 km de
distância do Porto do Recife, a 40 m de profundidade. "Isso
atrairia mergulhadores, mídia, educação
ambiental e mostraria às pessoas que, ainda que existam
tubarões, é possível conviver com eles." (P.S.) |