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CARACTERÍSTICAS
O que torna o tubarão tão perigoso?
Publicado em 01.08.2006

Isabelle Figueirôa*
Do JC OnLine

Os tubarões percebem a presença de uma gota de sangue a 300 m de distância

Alta capacidade sensorial. Pouca sensibilidade à dor. Olfato aguçado. Cinco fileiras de dentes. Essas são algumas das características físicas dos tubarões que os tornam animais bem equipados, com órgãos sensitivos adequados para a caça. Eles são essencialmente carnívoros e, diferente do que muitos pensam, o homem não faz parte da sua cadeia alimentar. Quanto às suas preferências alimentares, os tubarões seguem uma dieta regular de peixes, crustáceos, lulas, polvos, tartarugas, raias e outros tubarões. A prática da caça é guiada e determinada basicamente pela combinação dos seus sentidos.

O tubarão, como a maioria dos animais selvagens, age quase exclusivamente por instinto e as reações são muito imprevisíveis. Sua visão atua melhor de perto para distâncias de até dois metros, enquanto o sistema nervoso lhe permite pouca sensibilidade à dor. Pelo ouvido interno, o peixe detecta vibrações de baixa freqüência vindas de longas distâncias, percebendo o debater de um peixe até a 600 metros.

Segundo o professor de biologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Antônio Carlos Beltrão, a cabeça do tubarão, especialmente ao redor do focinho, apresenta pequenos poros, denominados ampolas de lorenzini. Estes receptores, órgãos minúsculos, são sensíveis à temperatura, salinidade e pressão da água, com uma especial capacidade para detectar campos magnéticos muito sutis, gerados por outros animais. Os poros captam vibrações de média e baixa freqüências, correntes, mudanças na temperatura e pressão da água, assim como detectam obstáculos e alimentos em águas turvas.

Com o olfato - que não auxilia na respiração como acontece com os seres humanos -, os tubarões percebem a presença de uma gota de sangue a 300 metros de distância em pleno oceano. Dois terços do seu cérebro, aproximadamente, está dedicado a interpretar esses cheiros. Todos os tubarões têm de cinco a sete pares de fendas branquiais nos lados da cabeça por onde eles respiram. Diferente da maioria dos peixes e devido à anatomia cartilaginosa, grande parte dessas espécies têm de estar sempre nadando para poder respirar - afinal, é forçando a entrada de água pela boca, atravessando as brânquias em seguida, que ocorrem as trocas de gases.

Como não podem parar de nadar - caso contrário, morrem afogados -, os tubarões gastam muita energia e precisam estar constantemente à procura de alimentos. Daí serem chamados de "lixeiras do mar": devoram, inclusive, animais mortos e feridos, poupando assim energia e expondo-se menos vezes à caça. Os dentes são a principal arma dos tubarões. Em forma de serras e bastante afiados, são triangulares e não possuem raízes nem nervos, fixados às maxilas apenas por um tecido membranoso. Eles possuem até cinco fileiras de dentes "reserva", para, quando perder algum, o de trás mover-se assumindo o lugar da frente. Dependendo da espécie, um tubarão pode produzir de 300 a 800 novos dentes por ano, alguns chegando a 30 mil ao longo da vida.

Segundo o professor Beltrão, a potência da mordida pode atingir mais de 800 kg/cm². "O tubarão não mastiga, somente corta o tecido da presa. Ele tem uma rotação sobre o eixo crânio-caudal bastante rápida. O cinetismo craniano é muito ágil e desenvolvido, permitindo projetar na mândibula uma potência muito forte", disse.

EXTINÇÃO - Com comprimento que varia de um metro a 18 m de comprimento, os tubarões estão no topo da cadeia alimentar oceânica. Segundo o biólogo marinho Marcelo Szpilman, no livro Tubarões no Brasil, esses animais "mantêm o controle populacional de suas presas habituais e exercem importante papel na seleção natural ao predar os mais lentos e os mais fracos. Além disso, ao comerem os animais e peixes doentes, feridos ou mortos exercem também uma função importante na manutenção da saúde dos oceanos".

A extinção dos tubarões, portanto, certamente provocaria uma forte alteração na complicada teia alimentar dos mares e o conseqüente desequilíbrio do ecossistema marinho. "Não só as espécies humanas sofreriam, inclusive economicamente, como também a reação em cadeia poderia chegar às algas planctônicas, maiores produtores de oxigênio do planeta, e os desequilíbrios decorrentes seriam imprevisíveis e catastróficos", analisa Szpilman.

* Colaborou o jornalista Márcio Pannunzio, que teve os tubarões como tema de projeto de conclusão de curso na Aeso (Faculdades Integradas Barros Melo).

Os impactos dos ataques no turismo em Pernambuco e as soluções que outros países encontraram para conviver com os tubarões são destaques da terceira reportagem da série, que será publicada na próxima terça-feira (08.08.2006).
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