| FABRICANTES DE PRANCHA
Queda
no surfe força mudança nos negócios
Publicado em 15.08.2006
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| Mercado
de fabricação de pranchas mudou as estratégias |
Com
a queda dos adeptos do surfe, os fabricantes de pranchas
tiveram que trilhar outros caminhos para não verem
seus negócios irem por água abaixo. E aí valeu
de tudo: vender até para o Japão, trocar a
fabricação das peças por souvenirs do
surfe e até exportar a matéria-prima da prancha
(o poliuretano). Porém num ponto os shapers, como
são conhecidos, têm um discurso comum: se dependessem
apenas do mercado pernambucano para se sustentar, estariam
quebrados.
João Maurício, dono da Argo Surf Shop, em
Olinda, está no time de quem fez a fabricação
de pranchas o negócio secundário. Ele especializou-se
em fazer peças com motivos de surfe, como pranchas-relógios
(miniaturas), golfinhos, porta-canetas e camisas. Dedicou-se
tanto que até expôs seu trabalho nas duas últimas
edições da Fenneart (Feira Nacional de Negócios
do Artesanato). "Se estivesse vivendo de fabricar pranchas,
estaria morrendo de fome", sentencia, com a autoridade
de quem está no negócio há 22 anos.
Claro
que a fábrica não foi deixada de lado.
Mas a produção caiu vertiginosamente, resultado
dos maiores custos por causa do frete - a maioria das vendas é para
fora de Pernambuco. "Já cheguei a fazer 40 pranchas
por mês. Em julho, fiz seis pranchas. Para agosto,
a previsão é de dez. No verão dá para
ficar entre 15 e 20", contabiliza. Ele lembra que antes
dos ataques mais freqüentes de tubarão, o presente
da moda eram pranchas de surfe. "No fim do ano, os pais
chegavam aqui e compravam até duas pranchas. Com os
ataques, o negócio foi minando", conta.
Quem
procurou outros mercados foi Cláudio Marroquim,
da Morroquim Surfboards. Seu maior filão, hoje, são
os Estados vizinhos: Alagoas, Ceará e Rio Grande do
Norte, principalmente. Na semana passada, a fábrica
estava enviando três pranchas para o Japão. "Se
estivesse vendendo só aqui, provavelmente estaria
com dificuldades para sobreviver", avalia. No auge da
fabricação, chegava a vender até 120
peças num só mês. Hoje esse número
chega a 60. 
Já
Rômulo Bastos, da Custom Surfboards, utiliza o poliuretano,
material usado na fabricação de pranchas, como
sustento. Ele tem uma exportadora. A fábrica está
em segundo plano. E olhe que ele está no ramo há
respeitáveis 30 anos. "Houve uma queda significativa
após os ataques de tubarão. Clientes novos são
muito difíceis. O que temos são os antigos que
já têm filhos com dez, 12 anos, e os pais levam
para surfar no Litoral Sul", aponta.
Nos "Anos Dourados" do surfe, como ele mesmo diz,
o total de peças fabricadas chegou a 250 por mês.
Atualmente esse número oscila entre 100 e 150. Além
do consumidor não estar se renovando, ele atenta para
outro detalhe: como a freqüência com que os surfistas
entram na água diminuiu, a vida útil das pranchas
aumentou, reduzindo a procura. "No uso diário,
uma prancha dura em média seis meses. A pessoa surfando
duas vezes na semana, quando muito, esse tempo chega a um
ano", explica.
A
solução foi buscar novos horizontes. Quem
comanda a fábrica atualmente é Rogério,
irmão de Rômulo. Ele partiu para a exportação
de blocos de poliuretano. "Vendemos para o mundo inteiro.
Antigamente, chegamos a ter até 20 fábricas
de pranchas em Pernambuco. Hoje são quatro, cinco.
Não há receita que justifique investir nisso",
avalia. (W.P.)
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