| ESTÁ
PROIBIDO
Tubarão
leva surfistas para longe do Recife
Publicado em 15.08.2006
Wladmir
Paulino
Do JC OnLine
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| Marcelo
Cartaxo é jornalista e editou o jornal
Surf Press de 1991 a 2001. Como bodyboarder já foi
campeão pernambucano e nordestino. |
Os
números nunca foram contabilizados pelas respectivas
federações, mas quem dirige o surfe e o bodyboard
em Pernambuco é categórico ao afirmar: as duas
modalidades perderam muito em qualidade após os ataques
de tubarão do início dos anos 90. Conseqüência
direta da redução da quantidade de praticantes.
Agora as (poucas) esperanças do Estado em voltar a
brilhar sobre as pranchas residem no Litoral Sul, principalmente
nas praias de Gaibu e Maracaípe, localizadas a mais
de 31 km da capital Recife. A dificuldade, nesses casos, é
saber se os surfistas e bodyboarders seguem à risca
a cartilha de um atleta, como boa alimentação,
ritmo de treino e até corrigir defeitos e aprimorar
os acertos.
Quem
mora na Região Metropolitana, que está com o
surfe proibido da Praia de Zé Pequeno, em Olinda, à
Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, não tem
o mesmo desempenho por um fator muito simples. Só pode
treinar nos finais de semana ou feriados prolongados. "Uma
geração inteira foi perdida", lamenta o
diretor da Federação Pernambucana de Surfe (Fepesu),
Geraldo Cavalcanti. Ele lembra que havia vários pontos
que funcionavam como clubes: Acaiaca, Sarongue, 1º Jardim
e curva de Piedade, isso somado a Olinda e Pau Amarelo. Todos
no Grande Recife, região de risco. "No primeiro
ataque, já foram canceladas todas as competições",
lembra.
Já
o presidente da Associação de Bodyboard de Piedade,
Beri Santana, disse que havia uma média de 30 atletas
na região entre Boa Viagem e Candeias. Conseqüência
disso, o Circuito Pernambucano era bastante forte, inclusive
com a presença de boarders de vários lugares
do País. "O grande estouro aconteceu entre 1986
e 1990, nos clubes do Acaiaca, Sarongue e Posto Seis. Eles
trabalhavam muito com crianças e a primeira conseqüência
dos ataques foi com os pais, que pararam de presentear seus
filhos com pranchas de bodyboard", lembra.
Beri
recorda que o problema não foi só com
os participantes, que escassearam tanto na quantidade quanto
na qualidade. A técnica dos boarders pernambucanos
era ensinada e copiada pelos países vizinhos do Nordeste.
Hoje isso acabou. "Nós também exportávamos
conhecimento, principalmente na parte técnica. Depois
de São Paulo e Rio de Janeiro, o Estado mais forte
era Pernambuco", ressaltou.
A renovação na Região Metroplitana
do Recife acabou, de acordo com o dirigente. "Hoje devemos
ter dois ou três nomes", diz ele, que cita Diego
Cabral, Rayanna Aguiar e Luciana Acioly. Porém os
treinamentos deles dividem-se entre as praias de Gaibu e
Maracaípe.
Adílson
Gomes, que pegava onda antes dos ataques freqüentes,
lembra que entrava no mar todos os dias, no final do Posto
Seis. Ele conta que o medo aumentou, e muito, quando um companheiro
de prancha foi atingido. Eduardo Cruz, a terceira vítima
da relação de 50 desde 1992, surfava junto com
Adílson. "Não estava com ele na hora, mas
todo mundo ficou com muito medo de Boa Viagem. Desde então,
passei a surfar em Enseada dos Corais (a 31 km do Recife)",
diz. Adílson conta que o amigo, que sobreviveu ao ataque,
foi ajudado por vários surfistas para fazer o tratamento
e hoje mora no Rio de Janeiro.
Para
o jornalista e ex-boarder Marcelo Cartaxo, é inevitável
uma queda de rendimento para quem surfava todos os dias e,
de repente, se viu obrigado a entrar na água apenas
nos finais de semana. "Senti uma queda de qualidade,
sim. Além disso, se perde a efervescência, os
campeonatos acabam", avalia.
PUNIÇÕES
- Beri lembra que os boarders de Boa Viagem foram bastante
resistentes à orientação da Associação
de Bodyboard de Pernambuco de que evitassem a praia, ainda
antes do veto oficial do Governo do Estado, em 1995. "A
coisa ficou tão séria que foi preciso impor.
Se algum bodydoarder filiado à Associação
fosse flagrado na água, sua participação
em campeonatos era suspensa por um período. Antes também
foram feitos vários trabalhos de conscientização,
como palestras", explica. |