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PERNAMBUCO
Estado aposta em soluções conjuntas para diminuir ataques
Publicado em 24.08.2006

Julliana de Melo
Do JC OnLine

Palestra realizada pelo Instituto Oceanário para deficientes auditivos no Recife

"Incentivar a pesca predatória das espécies agressivas", "Colocar redes de proteção ao redor do mar", "Recuperar as áreas de mangue devastadas". Essas e outras opiniões foram emitidas por internautas de toda a parte do mundo e estão resgistradas no JC OnLine. Desde o início deste especial, no dia 27 de julho, até esta quinta-feira (24/08), quando encerramos a série de reportagens, mais de 650 pessoas participaram de um mural sobre "O que deve ser feito para evitar novos ataques de tubarões em Pernambuco?" No espaço de interatividade, não foi possível estabelecer um senso comum sobre o questionamento. Cientistas e pesquisadores de tubarões também admitem que não há uma solução mágica para acabar com o problema. "Não há uma causa única (para os ataques) e, da mesma forma, não há uma única solução. Na verdade, o problema não vai ser resolvido nunca. Ataque de tubarão vai ocorrer sempre no mundo inteiro. O meio ambiente marinho é o habitat dos tubarões e toda vez que o ser humano estiver nesse habitat ele corre o risco de ser atacado", ressalta o presidente do Comitê Estadual de Monitoramento aos Incidentes com Tubarões (Cemit), Fábio Hazin.

Segundo Hazin, a solução possível deverá ser construída a partir de um conjunto de medidas mitigadoras, ou seja, atenuantes. "Estamos minimizando os efeitos desse fenômeno através das quatro linhas de ação traçadas pelo Cemit", garante. Essas linhas de ação incluem educação ambiental, de responsabilidade do Instituto Oceanário de Pernambuco; pesquisa e monitoramento, elaboradas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); vigilância e fiscalização, pelo Corpo de Bombeiros; e avaliação ambiental, pela Agência Estadual de Meio ambiente e Recursos Hídricos (CPRH). Além das expedições realizadas pelo barco Sinuelo, o comitê tem apostado em campanhas educativas nas praias, escolas e comunidades. "Ninguém pode dizer que falta educação e informação. Recife é o melhor exemplo no mundo de ações no combate aos ataques de tubarão. Nós temos cinco vezes mais placas de advertência nas praias do que em qualquer lugar no mundo", destaca Hazin. Apesar desse esforço de informação, mais de 90% dos ataques registrados aconteceram nas áreas delimitadas pelo Estado, que são devidamente sinalizadas.

SOBRE O CEMIT
Em 17 de maio de 2004, o Governo do Estado, através do Decreto nº 26.729, instituiu, no âmbito da Secretaria de Defesa Social (SDS), o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), contituído por membros efetivos da SDS (Corpo de Bombeiros, Instituto de Medicina Legal), Instituto Oceanário de Pernambuco, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e, a partir de 2005, da Agência Estadual de Meio ambiente e Recursos Hídricos (CPRH). As ações são divididas em quatro linhas: educação ambiental (de responsabilidade do Instituto Oceanário); pesquisa e monitoramento (UFRPE); vigilância e fiscalização (Corpo de Bombeiros) e avaliação ambiental (CPRH).
Confira as demais atribuições do Cemit:
- acompanhar e registrar os incidentes com tubarões, consolidando os dados estatísticos;

- definir estratégias e ações que visem a minimizar os riscos de ataques nas praias afetadas;

- acompanhar as ações desencadeadas pelos diversos órgãos, relacionados aos incidentes com tubarões;

- atuar como centro de referência, orientando as informações e discussões;

- avaliar impactos de toda ordem, sejam econômicos, sociais, ambientais, decorrentes dos incidentes e ações empreendidas.

O Instituto Oceanário realizou recentemente uma pesquisa nas áreas de risco, mostrando que há, muitas vezes, imprudência por parte de banhistas e surfistas. "O pesquisador foi lá dentro da água entrevistar as pessoas. A grande maioria estava consciente do perigo que estava correndo. Não é por falta de aviso que as pessoas estão sendo atacadas", alerta Hazin. A reportagem do JC OnLine também pôde comprovar esse fato durante entrevistas realizadas com banhistas nas Praias de Boa Viagem e Piedade, as mais visitadas pelos tubarões na região. Para o presidente do instituto, Alexandre Carvalho, a sociedade pede resultados imediatos e se esquece, muitas vezes, que tudo passa pela pesquisa, informação e educação ambiental, construídos a médio prazo. E lembra: matar tubarão não vai resolver o problema. Pelo contrário, argumenta, pode acarretar outros ainda mais graves ao meio ambiente. "O tubarão tem papel fundamental no topo da cadeia alimentar. A quebra dessa cadeia pode desequilibrar a população de outros animais marinhos, ocasionando também prejuízos sociais e econômicos."

Todas os especialistas entrevistados neste especial foram unânimes em destacar a educação ambiental como ação primordial para o enfrentamento da situação. "A população vai ter que conviver com essa realidade e, dentro das áreas de risco, tomar as medidas preventivas", explica Carvalho. No ano passado, o Instituto Oceanário realizou 129 palestras em escolas e comunidades. Na ocasião, foram repassadas informações sobre as espécies agressivas que existem no Estado, as principais causas dos ataques, os cuidados necessários e ainda o respeito pelo meio ambiente. O Espaço Ciência, localizado em Olinda, também tem realizado um trabalho de conscientização aos estudantes do Grande Recife. No local, existe uma exposição de tubarões e são realizadas oficinas. "Tentamos desmistificar o tubarão como o vilão do mar e, para isso, falamos da biologia do animal e seu papel no meio ambiente. Os alunos saem de lá sabendo que não se deve poluir rios e mangues porque isso pode interferir diretamente nos ataques", explica o biólogo Bruno Severo.

Confira algumas opiniões dos internautas:
"Recuperar os mais de 10 Km de mangue que foram aterrados para a construção do porto de Suape. Foi através deste impacto ambiental que houve desvio das correntes marinhas, aumento do número de navios cargueiros e por conseguinte a presença de tubarões na nossa costa."
Jairo Moura
"Colocar um megulhador experiente no mar dentro de uma gaiola que o proteja e tentar atrair o tubarão, para que possa filmar qual animal ou qual espécie esta atacando."
Glauco
" Redes de proteção já! É solução e não pesquisa!"
Rodrigo Trajano
"Para que não ocorra mais ataque ninguem deveria entara na água. Lá é a casa do tubarão, nós somos os intrusos. Qualquer tentativa de se "eleminar" os tubarões terá sérios prejuizos ambientais em um curto espaço de tempo."
Guilherme
"Depende dos banhistas e surfistas se concientizarem que os riscos existem, e as autoridades serem claras nas orientações."
Wanderlei
Clique aqui para deixar também a sua opinião sobre este assunto: O que deve ser feito para evitar novos ataques de tubarões em Pernambuco?

 

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