| TECNOLOGIA
Aparelho
vai monitorar tubarões por satélite
Publicado
em 24.08.2006
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| Sergio
Murilo, do Praia Segura, defende instalação
de telas de proteção em Boa Viagem |
Uma
conclusão é certa: em se tratando de natureza,
não existe uma solução imediata e, para
não perder turistas e atletas de surfe, além
de garantir a segurança dos banhistas de uma forma
geral, Pernambuco precisa encontrar formas de conviver com
os tubarões. A boa notícia é que alguns
projetos estão sendo realizados pelo Cemit e por outros
órgãos independentes e eles podem sinalizar
um avanço neste sentido. O Comitê, por exemplo,
tem desenvolvido uma pesquisa para tratar o chorume dos lixões
- que pode estar influenciando no aumento do número
de ataques de tubarão - na tentativa de diminuir o
impacto causado no meio ambiente e ainda um estudo sobre a
flora bacteriana presentes nas vítimas dos ataques
para desenvolver um método através do qual,
pelo exame das bactérias, se possa identificar as espécies
de tubarões.
Duas
inovações tecnológicas também
estão na pauta de investimentos do Cemit. A primeira,
denominada marca pop-up, já foi adquirida pelo órgão
e ainda este ano será testada. "Vamos marcar esses
tubarões, e ao invés de sacrificá-los
no momento da captura, eles serão rebocados até
o limite da plataforma continental, numa área bem distante
da praia, e soltos. Alguns meses depois, essa marca pop-up
se solta do animal, vem à surperfície e transmite,
através de uma antena, todos os dados pelo sistema
de satélite Argos. Depois, recebemos as informações
pela internet", explica Fábio Hazin. O aparelho vai transmitir dados a profundidade em
que o animal se encontra, posição geográfica
(latitude, longitude), temperatura da água, quando
ele está se aproximando ou se afastando da praia e
até mesmo quando ele está no fundo ou no raso
do mar. "São informações importantes
sobre o comportamento desses animais que vão nos ajudar
a construir medidas mitigadoras mais eficientes". Duas
unidades do equipamento foram importadas, cada uma ao custo
de US$ 5 mil. "Fomos pioneiros na marcação
de agulhões e esta será a primeira vez que marcas
desse tipo serão utilizadas para tubarões no
Atlântico Sul", comemora. A segunda tecnologia
a ser implantada é um sonar, que seria colocado na
foz do Rio Jaboatão para detectar a entrada e saída
de tubarões. "Infelizmente, o equipamento é
caro e não foi possível comprá-lo com
os recursos que recebemos do governo (do Estado) e da prefeitura
(do Recife). Estamos tentando obter recurso federal."
Outra
iniciativa foi tomada pelo Instituto Praia Segura, ONG formada
por um grupo de amigos ex-surfistas que presta apoio às
vítimas de tubarões e realiza ações
de conscientização da população.
É dele a idéia de trazer para o Estado uma tela
móvel de proteção contra os ataques,
similar ao equipamento utilizado em Hong Kong, onde há
mais de 10 anos não se tem registrados incidentes com
tubarões. A tela de exclusão, como também
é chamada, foi financiada pela Fundação
Avina, ONG internacional de proteção ambiental,
e já se encontra no Estado em fase de montagem. "A
tela funciona como uma piscina na beira da praia. Essa área
fechada consegue fazer com que a população tenha
uma conviência pacífica com o tubarão
e fique completamente protegida para o banho de mar e para
a volta da prática do surfe",
destaca um dos coordenadores do Praia Segura Sérgio
Murilo Filho.
Quando for testada, ainda neste semestre segundo Sérgio
Murilo, a tela passará por avaliação
do Cemit antes de ser liberada para a população.
A tela será instalada numa área de mar aberto
de 200 m de norte a sul, em Boa Viagem, nas imediações
do Hotel Vila Rica ao Castelinho. Toda trecho será
isolado a 100/150 m mar adentro. O objetivo é replicar
o projeto para outras áreas do Grande Recife, desta
vez com recursos do governo. Vale salientar que, mesmo se
for aprovada, as medidas preventivas nas áreas de risco
devem ser mantidas nos locais onde a tela não estiver
instalada.
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| Floats Shields |
POLÊMICA
- No interior de Pernambuco, um grupo de professores voluntários
que integram o Núcleo Tecnológico do Agreste
também tem tentado encontrar soluções
para combater os ataques. Criado em 2004, no Colégio
Cenecista São José, em Bezerros, o projeto Floats
Shields Praias Seguras consiste na instalação
de um cinturão de bóias com alimentação
solar e antenas emissoras de ondas eletromagnéticas
ao longo do litoral recifense, que funcionariam como repelentes
de tubarões. Cada bóia tem um raio de ação
de 15 metros de circunferência e até quatro metros
de profundidade e, no caso de violação pelo
banhista do perímetro do sistema, as bóias emitiriam
um aviso sonoro. O aparelho possui o mesmo princípio
tecnológico do Shark Shield, equipamento australiano
que já é utilizado pelos guarda-vidas no Recife.
Segundo
o coordenador do núcleo, Marcos Luna, que é
formado em pedagogia e técnico em eletrônica,
um protótipo do equipamento foi avaliado pelo Centro
Federal de Educação Tecnológica (Cefet)
da Paraíba e foi também apresentado no II Workshop
Internacional sobre ataques de Tubarões, realizado
no ano passado na UFRPE. "Não recebemos o apoio
necessário do governo e ainda estamos tentando colocar
o projeto em uso", ressalta Luna. O Cemit rebate: "Temos
que respeitar todas as sugestões oferecidas, mas não
recebemos o projeto técnico detalhado e, por isso,
não podemos falar se ele funciona ou não. Só
posso dizer que abrimos espaço no workshop para apresentação
do projeto e essa apresentação deixou muitas
dúvidas", ressalta Fábio Hazin. O pesquisador em tubarões Neyff Souza, coronel
do Corpo de Bombeiros que já trabalhou por 25 anos
no acompanhamento aos ataques de tubarão no Grande
Recife, testou o equipamento por cerca de 30 minutos na praia
de Piedade e duas vezes em laboratório. "Para
comprovar de vez sua eficácia, precisaríamos
fazer um teste com o tubarão vivo em um curral, sendo
o tempo todo monitorado, mas faltam incentivos", afirma.
(J.M.)
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