| TUBARÃO
Um
temor que atravessa décadas
Publicado em 15.08.2006
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| Hélio Coutinho Neto é jornalista, também
editou o jornal Surfe Press e surfa desde 1975 |
Quem
vê os problemas do surfe pernambucano com os
tubarões de dez anos para cá nem imagina que
as feras das águas salgadas convivem no imaginário
- e no real, também - dos surfistas desde que as pranchas
deslizam nas ondas. Hélio Coutinho Neto, jornalista
e amante do surfe desde 1975, afirma que o medo sempre existiu
e as histórias de tubarões se sucedem em pouco
mais de 20 minutos de conversa.
Aliás,
o ano em que ele começou a ficar em pé numa
prancha coincidiu com o lançamento do filme Tubarão,
de Steven Spilberg. O medo foi tão grande que ele e
os colegas de Piedade passaram três semanas sem surfar.
"Qualquer movimento em falso, alguém gritava",
conta.
A
diferença a respeito do alarme que é feito
hoje pelos ataques, diz Hélio, é que, na época,
havia apenas suspeitas de que tubarões causavam a
morte de banhistas. "Uma vez, tiramos um corpo da beira
da água com um braço arrancado. Parecia uma
mordida. Isso acontecia de vez em quando. A diferença é que
hoje as pessoas sobrevivem para contar", aponta.
Além disso, sempre havia relatos de surfistas que
viam um vulto parecido com tubarão em várias
oportunidades. "De vez em quando, alguém gritava:
'Sai da água todo mundo!' Todo mundo saía nadando
rápido, ficava uma meia hora na areia e voltava. Se
fosse muito tarde, íamos para casa", lembra.
O
próprio Hélio tem sua história. Num
final de tarde de 1984, na região conhecida como Abreus,
em Candeias, Jaboatão dos Guararapes, vizinha ao Recife,
preparava-se para furar uma onda quando olhou para o lado
e viu um vulto cinza, com uma barbatana. "Na hora, me
consolei achando que era um boto. Depois de observar fotos
com detalhes, cheguei à conclusão que poderia
ser um tubarão, sim".
Marcelo
Cartaxo também já conviveu com a tensão
de um encontro indesejável. Pouco depois do boarder
Eduardo Cruz ser atacado, ninguém conseguia relaxar
dentro d'água. Era comum ver alguém com as
pernas e os braços voltados para cima por, supostamente,
ter visto algo parecido com um tubarão. "Às
vezes, um sargaço batia no pé e o cara já gritava
que era tubarão", rememora, entre risos. (W.P.)
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