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TRATAMENTO
HR lidera atendimento a vítimas de tubarão
Publicado em 01.08.2006

De sessões de fisioterapia a amputações, o tratamento das vítimas de tubarão depende da gravidade do ataque e do local atingido pela mordida. Com alto risco de infecção - a água do mar é contaminada por várias bactérias -, as mordidas mais perigosas são aquelas que atingem os membros inferiores à altura da coxa, local com artérias de grosso calibre, como a femoral.

Os primeiros-socorros à vítima de tubarão devem ser prestados por guarda-vidas ou por uma equipe do Corpo de Bombeiros acionada através do número 193. Mas a população presente pode realizar alguns procedimentos imediatos, como "pressionar firmemente o membro afetado com um pano limpo e, de preferência, úmido. Além disso, o local da mordida deve ficar em uma posição superior ao corpo ", segundo explica o assessor de imprensa do Corpo de Bombeiros, major Lamartine Barbosa.

Após esse tratamento imediato, os bombeiros encaminham o paciente, de preferência, ao Hospital da Restauração. "O HR é o mais indicado, já que tem médicos especialistas em todas as áreas e uma larga experiência no tratamento de pessoas atacadas por tubarão", disse o major. Inicialmente levada para a emergência, a vítima é reanimada do ponto de vista hemodinâmico [através de soro e sangue]; o ferimento é lavado, sendo realizada uma contenção. Após o doente ser reanimado, é encaminhado para a sala de cirurgia, onde uma equipe multidisciplinar na área vascular, ortopédica e neuro-cirurgiã vai avaliar a lesão. Caso haja fratura, haverá a fixação óssea; já havendo problemas vasculares, a área será refeita, vascularizada.

Segundo o coordenador de cirurgia vascular do Hospital da Restauração, Alexandre Guedes - que já atendeu cinco casos de vítimas de tubarão, das quais duas atingidas na coxa faleceram e três se recuperaram -, após esse processo, "realizamos a limpeza de todo o tecido traumatizado [desbridamento]. A ferida é deixada aberta, pois há uma potencial incidência de infeccção". Os tecidos inviáveis ou necrosados são retirados e o paciente começa a fazer a antibioticoterapia, à base de drogas com largo expectro, ou seja, que atingem a maioria das bactérias. Se os tecidos ósseos e musculares inviáveis comprometerem o membro, ele deverá ser amputado.

Em seguida, a vítima é levada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou à enfermaria, conforme o grau do trauma. "Os locais atingidos com maior risco de morte à vítima são principalmente os membros inferiores ao nível da coxa, onde há o nervo ciático, tecidos musculares, vasos femorais e artérias de grosso calibre, em cuja lesão a perda de sangue é muito grande", explica o médico. A maioria dos pacientes, após a cirurgia, necessita fazer sessões de fisioterapia para evitar a atrofia do músculo. Conforme ele, "o paciente leva de 3 a 6 meses de fisioterapia, dependendo do nível de perda muscular".

O tratamento hiperbárico é indicado para qualqur tipo de lesão, combatendo as infecções

CÂMARA HIPERBÁRICA - Um outro tipo de tratamento recomendado para as pessoas que sofreram ataques de tubarão é a oxigenoterapia hiperbárica. Entretanto o cirurgião Alexandre Guedes revela que "a câmara hiperbárica é um tratamento coadjuvante. Ela por si só não resolve, pois apenas ajuda no combate à infecção, mas não é imprescindível", acrescentando que "há pacientes que não se submetem a esse procedimento, mas se recuperam".

O tratamento hiperbárico consiste na oferta de oxigênio puro numa pressão um pouco maior que a atmosférica, de modo a aumentar a concentração do oxigênio na corrente sangüínea do paciente, e conseqüentemente, nos demais tecidos do corpo. A prática melhora a oxigenação do local ferido, reduzindo o risco de infecção e de edemas. "O tratamento não é específico para vítimas de tubarão. É recomendado para qualquer tipo de lesão, já que acelera o processo de cicatrização", informou a médica Marisa Costa Bourbon, uma das diretoras da Unidade de Apoio ao Diabético (Uniad).

SERVIÇO
Corpo de Bombeiros - 193
Hospital da Restauração
Avenida Agamenon Magalhães, s/n,
Derby - Recife
Telefone: (81) 3421.5444
Unidade de Apoio ao Diabético (Uniad)
Avenida Lins Petit, nº 160,
Ilha do Leite - Recife
Telefone: (81) 3423.5874

A Uniad é o único hospital em Pernambuco que possui uma câmara hiperbárica e já atendeu, desde 1992 - quando iniciou a onda de ataques no Estado - seis pacientes atacados por tubarão. "Todos com uma recuperação excelente", garante a médica.
(I.F.)

Os impactos dos ataques no turismo em Pernambuco e as soluções que outros países encontraram para conviver com os tubarões são destaques da terceira reportagem da série, que será publicada na próxima terça-feira (08.08.2006).
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