| Pacientes são obrigados a fazer tratamento fora da sua cidade devido à ausência de centros de medula óssea |
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Pernambuco possui, pelo menos, duas unidades de saúde cadastradas pelo Ministério da Saúde para realizar transplantes de rim, fígado, coração e córnea. O cenário ainda não é o ideal, mas já há sinais que apontam mudanças no panorama atual. Em agosto, o Estado se prepara para inaugurar o primeiro serviço de saúde exclusivo para transplantes.
A grande dificuldade enfrentada atualmente é com relação ao transplante de medula óssea. Falta de leitos e medicamentos, além da burocracia, contribui para a redução desse tipo de procedimento no Estado. Em 2008, foram 147 transplantes de medula óssea realizados enquanto que, em 2009, 128, uma queda de 13%.
A baixa no número de procedimentos pode estar associada a algumas questões burocráticas e de infraestrutura enfrentadas pelas duas unidades que realizam os transplantes de medula óssea no Estado: o Hemope e o Hospital Português, que é conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, 31 pessoas estão na fila já com doadores esperando a realização do transplante.
A gestora da Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE), Zilda Cavalcanti, acredita que, como cerca de 90% dos procedimentos relacionados à medula óssea são realizados no Hospital Português, a reforma da ala destinada ao transplante e o recredenciamento da unidade perante o Ministério da Saúde, que ocorreram no ano passado, contribuíram para o resultado negativo, já que, nesse meio tempo, que teria sido quase dois meses, o hospital ficou sem transplantar. "O credenciamento venceu e houve uma demora para regularizar a situação", explica.
Porém, de acordo com Rodolfo Calixto, gerente geral da equipe de transplantes de medula óssea do Hospital Português, não houve atraso nem modificação. "Em torno de 20 a 30 dias, os transplantes já estavam encaminhados e foram finalizados", diz. O hospital possui seis leitos destinados ao procedimento.
Como denunciado pelo JC Online no dia 13 de maio deste ano, a situação é mais deficitária no Centro de Transplante de Medula Óssea do Hemope. Insumos como imunossupressores - medicamentos para evitar a rejeição da medula óssea nova recebida pelo paciente - e bolsas de coleta de medula estão em falta na unidade.
Sem os insumos necessários à realização dos transplantes, os pacientes acabam esperando mais do que deviam, o que é extremante perigo - se os que necessitam de um transplante de medula óssea piorarem, eles perdem a posição na lista. "Se o paciente agrava, perde a indicação. Por isso que o tempo é crítico", diz a chefe do transplante de medula óssea (CTMO) do Hemope, Érika Coelho.
O número de leitos também está abaixo do esperado em Pernambuco. O ideal para o Estado, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), é que fossem 30. Mas existem apenas nove, sendo seis no Hospital Português e três no CTMO do Hemope, localizado no Hospital dos Servidores, no bairro das Graças, Zona Norte do Recife. Zilda Cavalcanti, do CT-PE, reconhece o problema. "A gente precisaria de um número maior de leitos ".
A Secretaria Estadual de Saúde já sinalizou a intenção de disponibilizar, até o final deste ano, dez leitos no Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP) numa área superior a 700 m² para o transplante de medula óssea. Em nota, o órgão informou que o projeto de reativação do serviço de transplante de medula óssea do Hemope em um andar do HCP se encontra em fase de elaboração e que a meta é o serviço entrar em funcionamento até o final do ano.