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Alice
Através do Espelho
Alice
sai com umas idéias difíceis de entender. Mas tão simples, quando
se pensa como uma criança. Só que Alice não é mais uma criança.
Ela é uma borboleta. Ela está num casulo e vai se transformar em
uma mulher. Só que dentro do claustro de fibras Alice se vê no espelho,
e vê sua vida e vê seus delírios, medos e ansiedades.
E todo mundo que vê Alice entra no espelho com ela. O mundo imaginário
de Lewis Carroll, criador de Alice no País das Maravilhas, transposto
para uma caixa preta. É mais ou menos assim (não se pode ser preciso.
Niguém o é) que funciona a peça Alice Através do Espelho,
texto de Maurício Arruda Mendonça, que vem ao Recife sob a direção
e ilusão de Paulo de Moraes e seu Armazém Companhia de Teatro (PR).
O próprio diretor do sanatório em que se transformou o País das
Maravilhas confessa que este pequeno mundo é "Aliciante". A surpresa
é esquivar-se dela. Estão todos lá: o Chapeleiro Maluco, a Rainha,
aquele sorriso do gato e até a lagarta que vive fumando uma coisa
estranha.
Neste mundo cheio de sensações, temas sérios são discutidos, na
sutileza do mestre Carroll. Em cena, o público é levado a percorrer
os mesmos ambientes que Alice, numa espécie de labirinto móvel.
Esse ponto faz com que a limitação de pessoas na platéia seja necessária.
Não mais de 50 pessoas terão a oportunidade de conferir a interpretação
de Carolina Kasting, como Alice; Patrícia Selonk, como o Chapeleiro
Maluco; Simone Vianna, como a Lebre no cio e a Fada, entre tantos
outros.
Resta ao público recifense correr para garantir o seu lugar e conferir
de perto a loucura declarada, aqui traduzida, do texto de Carroll,
esse professor de matemática gago que era apaixonado por crianças.
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