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A
Serpente
Sufocante
e angustiado, o mundo de Nelson Rodrigues, nesta peça, cabe inteiro
dentro de um apartamento que cheira a sexo. Ou à falta dele.
A Serpente, trazida ao Recife pelo grupo Tapa, conta a história
de duas irmãs e dois casamentos. Um, bem sucedido, com tudo que
a filosofia rodrigueana considera 'saudável' a uma relação - se
é que para ele existe uma relação desta natureza.
O outro convive apenas com os sussurros e gemidos alheios e alimenta
o desejo contido de uma vida e seus orgasmos, na qual a cama é o
epicentro das relações. As irmãs Lígia e Guida casam no mesmo dia,
na mesma hora, com Décio e Paulo. Os casais mudam-se para um apartamento
e passam a viver juntos, livres das amarras e valores sociais.
O que era para ser uma união ideal entre irmãs e respectivos maridos,
acaba em traição, egoísmo e morte. Lígia é a mal-casada da história.
Vive sem sexo. A irmã, num ímpeto de ajudar, oferece o seu próprio
objeto de prazer: o marido. A montagem toma, então, um ritmo sôfrego,
combinado com o movimento em cena, sempre muito constante.
Completa o clima os texto sem rodeios, como se existisse um combate
constante entre as personagens. Lígia e Guida passam a se odiar
do mesmo jeito que se amaram no passado. Com direção de Eduardo
Tolentino, A Serpente traz Bruno Perillo, no papel de Décio;
Clara Carvalho, como Lígia; Denize Weinberg, como Guida; Marizilda
Rosa, como a Crioula e Zé Carlos Machado, como Paulo.
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