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O
Rei da Vela
Nada
mais atual do que a tão falada multimídia, com sua vasta
mistura de recursos e possibilidades. Partindo de princípio
semelhante, a Companhia dos Atores fez de sua montagem da já
clássica O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, uma mistura de
linguagens: farsa, comédia, musical, programa de auditório,
entre outros "estilos", fazem parte do espetáculo
dirigido por Enrique Diaz, com cenários de Gabriel Villela.
A
peça, escrita em 1933, conta a história de Abelardo
I, fabricante de velas, esperto como condiz ao estereótipo
do brasileiro. Oportunista, Abelardo vai casar-se com Heloísa
de Lesbos, vinda de uma família aristocrática, mas
decadente. Numa ilha do Rio de Janeiro, o espectador vai conhecendo
todos os outros tipos que circulam entre as personagens principais.
O
texto de Oswald de Andrade retrata o modo como as relações
pessoais são, muitas vezes, transformadas em negócios,
com aquele cheirinho característico do capitalismo. Questionando
a eterna condição de desenvolvimento do Brasil, o
autor mostra atitude crítica, consciência política
e reflexão sobre o País que o cercava - e existe,
ainda hoje, mais de 60 anos depois. A única vez em que a
peça foi encenada profissionalmente foi em 1967, com o grupo
Oficina, dirigido por José Celso Martinez Corrêa.
Participam
do elenco de O Rei da Vela os atores César Augusto,
Drica Moraes, Gustavo Gasparani, Malu Galli, Marcelo Valle e Marcelo
Olinto, que também assina o figurino. A iluminação
é do requisitado Maneco Quinderé.
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