<< - ÍNDICE - >>
 
 

"A cada vez que nos apresentamos, novas possibilidades se abrem"

ENTREVISTA / Romualdo Freitas

A Troupernas de Pau e Teatro nasceu em Arcoverde com o espetáculo "Quadrilha, um romance sertanejo", que apresentou neste domingo, no Pátio de São Pedro, dentro do III Festival Recife de Teatro Nacional. O grupo seguiu direto para o município após a peça e volta para uma apresentação extra no fim de semana que vem, ainda sem local e horário definido. O JC OnLine conversou com exclusividade com Romualdo Freitas, diretor da trupe e também personagem da peça.

JC OnLine – Que tal a apresentação de hoje? A resposta do público correspondeu às expectativas?

Romualdo Freitas –
Eu gostei de ter feito o espetáculo. Tínhamos uma grande expectativa em realizar o espetáculo aqui por causa de nossa relação com o Movimento Federativo, bastante desvalorizado por ser um movimento de teatro amador. Assim, em festivais como esse podemos ter a oportunidade de mostrar o que tentamos fazer de melhor.

JC OnLine – Foi a primeira vez que a peça "Quadrilha, um romance sertanejo" foi apresentada aqui no Recife?

Romualdo Freitas –
Não, foi a segunda. Já nos apresentamos em uma festa chamada Forró do Arcoverdense, que aconteceu no Clube Náutico Capibaribe. Foi fechado, fora do ambiente natural do espetáculo, que é a rua. Aqui a energia é melhor. O Pátio de São Pedro ainda tem a vantagem de evitar a dispersão do som pelo vento. Em compensação, sofremos com o piso irregular de pedras portuguesas, por causa das pernas de pau. Precisamos treinar antes do espetáculo, mas correu tudo bem.

JC OnLine – É verdade que o espetáculo não tem sempre o mesmo formato, mas varia de acordo com o público?

Romualdo Freitas –
Sim, inicialmente a peça era apresentada em quatro atos: o encontro dos namorados, o noivado, a despedida de solteiro e o casamento. A cada semana, um episódio era apresentado em um bairro diferente, para culminar no Dia de São João. Depois fizemos uma adaptação e reduzimos para um só ato de 1:30h. De acordo com a reação do público, inserimos ou não duas cenas: quando as beatas contam à mãe da noiva que Quitéria "se perdeu" e quando ocorre a despedida de solteiro. À noite a peça é mais escrachada, mas à tarde pegamos mais leve. Foi o caso de hoje, pois havia várias crianças na platéia.

JC OnLine – Como surgiu o grupo Troupernas de Pau e Teatro?

Romualdo Freitas –
A maioria dos integrantes da equipe é remanescente do Grupo Espantalho, de Arcoverde, que já vem experimentando o exercício do teatro há 16 anos. Seguimos essa linhagem porque a cidade não tem espaço físico específico para teatro. As apresentações acontecem na rua ou em espaços alternativos. A idéia da "Quadrilha" surgiu no São João de Arcoverde, em que a prefeitura promove artistas locais. Ensaiamos três meses para o evento em 99, achando que teríamos uma temporada curta, mas estamos com esse espetáculo em cartaz desde então. Foi preciso bastante treino para estar à vontade em cima das pernas de pau. Agora, estamos mais relaxados e tudo melhora.

JC OnLine – A apresentação no Festival de Teatro do Recife abriu novos caminhos pro grupo?

Romualdo Freitas –
Uma coisa interessante é que a cada vez que nos apresentamos, novas possibilidades se abrem. No Festival de Inverno de Garanhuns, o curador dos festivais de Minas e Recife nos convidaram para participar. Hoje, o produtor Gutti já nos chamou para o Rec-Beatinho no Carnaval. Cada espetáculo traz outro. Só quero saber até quando esse figurino vai agüentar!