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O
pernambucano que embarcou no circo de Zé Celso Martinez
Por
Janaína Lima
Do Caderno C
Da platéia para o palco. Quem nunca sonhou em percorrer
este caminho e de simples espectador virar a estrela da peça?
O jornalista Flávio Rocha, 29 anos, não pensava nisso
quando assistiu à apresentação de Pra Dar Um
Fim No Juízo de Deus, no 2º Festival Recife do Teatro,
realizado em 1997. Criado em Tuparetama, Flávio repetiu o
desejo de muitos sertanejos em partir com o circo, que
estava em visita à cidade. Após o festival, ele partiu
com a trupe de Zé Celso para São Paulo e virou ator.
No Teatro Oficina, integrou o elenco de Cacilda e Boca de Ouro.
A última produção em que atuou foi Rei Lear,
estrelada por Raul Cortez.
Conheci
Zé Celso por acaso. Fui com um amigo, Afonso Jr., encontrar
o Zé no hotel, ele havia feito uma entrevista com ele. Conversamos,
ele perguntou o que eu fazia, e ficamos amigos. Ele insistiu que
eu tinha jeito de ator. Um dia, ele trouxe os textos, a gente estava
na beira da praia, e ele queria ver se eu tinha algum talento. Ele
me deu um cordel para recitar, que era a única coisa que
eu sabia fazer. Não tinha noção de concentração,
trabalho de corpo, nada, explica Rocha, que vive Cuca, filho
da protagonista.
A apresentação
de ontem à noite pode ser considerada a estréia de
Flávio nos palcos locais. Antes de fazer jornalismo,
fiz um teste para o curso de ator da Fundaj e levei pau. Me chateei,
e resolvi esquecer isso. Antes, só havia participado de pequenas
produções com os diretores Carlos Varella e José
Pimentel. Ter entrado em Cacilda foi maravilhoso para mim. Eu tive
uma chance que poucos têm. Trabalhei com profissionais como
Bete Coelho, Marcelo Drummond, Zé Celso e tantos outros,
destaca o ator, que enfrentou momentos difíceis. São
Paulo é uma cidade que se tem que matar três leões
por dia para viver, diz.
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