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Emoção e loucura no palco do Apolo

Fabíola Blah
Do JC OnLine

Ela precisa apenas de 1h15 para deixar a platéia completamente em silêncio, encantada. Berta Zemel, senhora absoluta do palco em Anjo Duro, conquistou de tal forma o público do III Festival Recife do Teatro Nacional que mereceu outras apresentações na cidade. A peça de Luiz Valcazaras entra em curtíssima temporada no teatro Hermilo Borba Filho (Avenida Cais do Apolo, Recife Antigo) de segunda a quarta-feira da próxima semana, sempre às 21h.

As cartas trocadas entre a psiquiatra brasileira Nise da Silveira e o filósofo Spinoza são o fio condutor da peça que, na verdade, traz ao palco a história de Nise, a importância de seu trabalho no País e o modo como aboliu o eletrochoque e a camisa de força, introduzindo as manifestações artísticas para o tratamento da esquizofrenia.

Nise encontrou inteligência, sensibilidade e talento em doentes antes maltratados pelos "métodos tradicionais". Esses mesmos sentimentos são levados ao palco por Berta Zemel, que se desdobra ao oscilar entre a própria médica e alguns de seus pacientes. Um deles diz a seguinte frase ao explicar um desenho onde retratou um coração: "o livro é importante, a ciência é importante... Mas se desprender do coração, não vale nada".

Ao contrário da primeira apresentação da peça, na noite da terça-feira, o público que lotou o Teatro Apolo nesta quarta comportou-se muito bem e fez o favor de desligar os telefones celulares para que não quebrassem o clima do espetáculo. Ao fim da encenação, Berta Zemel foi aplaudidíssima pela platéia e cumprimentada por muitos espectadores
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