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A Serpente não convence público pernambucano

Do JC OnLine

Montagens de peças de Nelson Rodrigues costumam provocar grande expectativa. De tanto que já foi aos palcos, a obra do dramaturgo e escritor pernambucano pede pitadas de renovação ou, ao menos, atuações perfeitas para funcionar a contento. Nenhum desses dois ingredientes estava presente na quinta-feira, quando A Serpente, do grupo paulista Tapa, encheu a sala do Teatro Apolo.

O cenário se reduzia a uma cama no centro do palco - o que não chegaria a ser um problema se os atores não se mostrassem excessivamente dramáticos e afetados. A trama traz o carimbo de Nelson Rodrigues, com direito a sexo, ciúme, problemas familiares e obsessão. Seria um prato cheio para uma montagem correta, mas não foi o caso. Em certos momentos, a atuação do grupo dirigido por Eduardo Tolentino chegou a provocar gargalhadas dos espectadores mais desinibidos.

Tudo se passa após a separação entre Lígia (Denize Weinberg) e Décio (Bruno Perillo). Consternada com a situação e capaz de fazer tudo - tudo mesmo, em uma relação que beira o incesto - por sua infeliz irmã, Guida (Clara Carvalho) oferece seu marido Paulo (Zécarlos Machado) a Lígia por uma noite, para que ela descubra o amor e a felicidade. Como era previsível, a boa vontade de Guida acaba resultando numa paixão proibida entre Lígia e Paulo.

Não se trata de amor, claro, mas de sexo e obsessão. Depois de concluído o ato, importa a Guida saber se, afinal, a noite foi boa ou se ele se arrependeu. Morando todos na mesma casa, ela chega a sugerir que a irmã e o marido sequer se cumprimentem, problema que é facilmente contornado por encontros no parque. Como é do feitio do dramaturgo, a história acaba em tragédia. O espetáculo dura longos 50 minutos, ao fim dos quais os espectadores não sabem se aplaudem ou saem correndo, sem olhar para trás.