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Equlíbrio
e qualidade marcaram Festival
Janaína
Lima
Do Caderno C
Baixou
o pano. Depois de 10 dias de espetáculos diários,
encerrou-se no último domingo, dia 26, o III Festival Recife
do Teatro Nacional, que trouxe à cidade algumas das companhias
mais renomadas do País. Repetindo a característica
do primeiro ano do evento, esta terceira edição sagrou-se
por apresentar grupos de repertório, que desenvolvem trabalho
de aperfeiçoamento da linguagem teatral.
Por
isso, mais uma vez tivemos a Cia. do Latão (SP), o Grupo
Tapa (SP), o Teatro Oficina (SP) e o Grupo Imbuaça (SE) marcando
presença. Mas este festival também foi uma vitrine
para estréias na cidade. Pela primeira vez veio ao Recife,
por exemplo, a Cia. de Atores (RJ), que fechou o evento com uma
ousada montagem do clássico O Rei da Vela, e a Armazém
Cia. de Teatro (PR), com Alice Através do Espelho.
Se
pudéssemos classificar um festival de teatro apenas pela
composição de sua programação, o do
Recife seria equilibrado. Uma boa dose de textos clássicos
contemporâneos (A Serpente, Navalha na Carne, O Rei da Vela),
algumas produções cinematográficas
(A Vida é Cheia de Som e Fúria), maratonas teatrais
(espetáculos com até mais de três horas de duração),
preocupação de vincular a realidade brasileira aos
assuntos tratados em cena (A Comédia do Tabalho) e um show
de interpretação das mulheres (Cacilda, Anjo Duro,
Alice Através do Espelho). Isso e mais a despreocupação
em lançar produções nacionalmente,
o que permitiu apresentar peças encenadas há vários
anos (e ainda assim inéditas na cidade), resultou num evento
equilibrado, concorrido e de qualidade.
Neste
conjunto, algumas peças merecem ser destacadas: A Comédia
do Trabalho, por levar à cena o resultado de um intenso trabalho
de pesquisa interpretativa e de dramaturgia, e pela coragem de reativar
a luta de classes numa encenação honesta. Ao lado
está Cacilda, sensação incontestável
do evento, por toda a grandiosidade do espetáculo remontado
pelo Oficina para ser encenado na cidade, e Alice Através
do Espelho, diputadíssima pela lotação máxima
de 50 pessoas por sessão e por apostar no quesito interatividade.
Na
contramão destas atrações está o monólogo
Anjo Duro, emocionante retrato de Nise da Silveira a cargo da competente
Berta Zemel, e que tamanho sucesso resultou numa curta temporada
que vai até quarta (29) no Teatro Hermilo Borba Filho.
Em
relação aos espetáculos de rua, a opção
por concentrar as apresentações no Pátio de
São Pedro revelou-se acertada. Mesmo ainda não tendo
decolado, o local ofereceu o aconchego que as praças do Recife
Antigo não são capazes. Ainda no gênero, Senhor
dos Labirintos, do Grupo Imbuaça, foi a revelação,
montagem de fôlego, sobre a vida do Bispo do Rosário.
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