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Cia. de Atores mostra como atualizar um clįssico modernista

Eduardo Albuquerque
Do Caderno C

Dos vários espetáculos apresentados na terceira edição do festival, O Rei da Vela, da carioca Cia. de Atores, mostrou que é possível atualizar um texto escrito há mais de 60 anos, sem perder a contundência, nem, tampouco, temer comparações com a encenação antológica que José Celso Martinez empreendeu em 1967.

Com direção de Enrique Diaz, o espetáculo conseguiu ser fiel à multiplicidade de linguagens cênicas proposta pela antropofagia de Oswald de Andrade. Reconhecidamente um texto de difícil montagem, O Rei da Vela contou a história do corrupto fabricante de velas Abelardo I e sua vida de empréstimos a taxas exorbitantes, com uma beleza visual e alegria cênica poucas vezes vista.

Utilizando-se de aspectos da comunicação de massa – como programas de auditórios, seriados de TV, citações da música popular –, a encenação conseguiu estabelecer de imediato uma ligação com a platéia através do humor e do escracho (principalmente no primeiro ato), fazendo com que o público fosse sendo tragado para aquela visão cínica e debochada da burguesia insensível nacional.

Entremeada por números musicais, a peça vai perdendo seu ar de deboche a partir da metade da encenação (inclusive com a diminuição dos risos da platéia) e muda totalmente de enfoque cênico com a chegada do terceiro ato – o da morte da personagem Abelardo I. Nesta parte do espetáculo, a cena ganha ares expressionistas, com mudança na iluminação e na interpretação dos atores. Vale ressaltar o entrosamento perfeito do elenco de O Rei da Vela, bem como a performance da atriz Drica Moraes em Heloísa de Lesbos.