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O Homem que Sabia Português encanta pela simplicidade
Fabíola Blah
Do JC OnLine
Você
já ouviu falar de "parnasianismo concreto"? Pois saiba que esse
é um tipo de poesia que fala direto aos corações, especialmente
àqueles apaixonados, e foi criado por Inácio, o biscateiro-faz-tudo
do bairro do professor Barreto. Esse "estilo" literário é apenas
uma das sutilezas presentes em "O Homem que Sabia Português", opereta-musical-comédia
que abriu a programação de teatro de rua no III Festival Recife
do Teatro Nacional, na noite de sexta-feira, no Pátio de São Pedro.
Em apresentação única, a Companhia Burlantins, de Minas Gerais,
mostrou ao público a história de Lígia, Cráudia (com R mesmo, como
faz questão de salientar a personagem, diversas vezes, durante o
espetáculo), Inácio e o professor Barreto. O mestre coloca anúncios
no jornal interessado numa esposa. A educada e erudita Lígia aparece
de fato interessada, mas Cráudia, à procura de um trabalho como
empregada, engana-se de endereço e também surge na casa do professor.
Como o dono da casa está ausente, as duas "pretendentes" começam
a conversar e a trocar elogios, uma ressaltando a espontaneidade
da outra, outra exaltando a educação da uma.
Nessa toada, entra em cena Inácio, que se finge de professor, recita
poesias parnasiano-concretas e arrebata o coração de Lígia. Até
que a confusão se desfaça e o verdadeiro professor Barreto apareça
para declarar seu amor por Cráudia, o público acompanha um elenco
afinado, no sentido literal da palavra. Não há trilha sonora, apenas
um órgão - escondido atrás de uma barraca de algodão doce - que
faz música de fundo e sonoplastia, bem servido pelo alto desempenho
vocal de todo o grupo.
Uma simples história de amor, num de seus formatos mais clássicos,
mistura elementos das culturas clássica e popular. O pequeno palco
montado sobre uma estrutura de ferro, não mais que cinco metros
de diâmetro, compõe o cenário principal onde se desenrola a história.
Poucos elementos - guarda-chuva, telefone, espanador, além de peças
do figurino - levam o espectador de um ambiente a outro, sem que
ele saia do lugar.
Diante disso tudo, o público não deu atenção à pequena gafe de Regina
Spósito, a atriz que interpreta Lígia, ao agradecer os aplausos
da platéia. Depois das palmas, Regina disse obrigado "ao festival
de Teatro de Curitiba". Maurício Tizumba, ator de Inácio e do professor
Barreto, emendou em seguida, corrigindo o nome da cidade.
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