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O Homem que Sabia Português encanta pela simplicidade

Fabíola Blah
Do JC OnLine

Um Sábado em 30Você já ouviu falar de "parnasianismo concreto"? Pois saiba que esse é um tipo de poesia que fala direto aos corações, especialmente àqueles apaixonados, e foi criado por Inácio, o biscateiro-faz-tudo do bairro do professor Barreto. Esse "estilo" literário é apenas uma das sutilezas presentes em "O Homem que Sabia Português", opereta-musical-comédia que abriu a programação de teatro de rua no III Festival Recife do Teatro Nacional, na noite de sexta-feira, no Pátio de São Pedro.

Em apresentação única, a Companhia Burlantins, de Minas Gerais, mostrou ao público a história de Lígia, Cráudia (com R mesmo, como faz questão de salientar a personagem, diversas vezes, durante o espetáculo), Inácio e o professor Barreto. O mestre coloca anúncios no jornal interessado numa esposa. A educada e erudita Lígia aparece de fato interessada, mas Cráudia, à procura de um trabalho como empregada, engana-se de endereço e também surge na casa do professor. Como o dono da casa está ausente, as duas "pretendentes" começam a conversar e a trocar elogios, uma ressaltando a espontaneidade da outra, outra exaltando a educação da uma.

Nessa toada, entra em cena Inácio, que se finge de professor, recita poesias parnasiano-concretas e arrebata o coração de Lígia. Até que a confusão se desfaça e o verdadeiro professor Barreto apareça para declarar seu amor por Cráudia, o público acompanha um elenco afinado, no sentido literal da palavra. Não há trilha sonora, apenas um órgão - escondido atrás de uma barraca de algodão doce - que faz música de fundo e sonoplastia, bem servido pelo alto desempenho vocal de todo o grupo.

Uma simples história de amor, num de seus formatos mais clássicos, mistura elementos das culturas clássica e popular. O pequeno palco montado sobre uma estrutura de ferro, não mais que cinco metros de diâmetro, compõe o cenário principal onde se desenrola a história. Poucos elementos - guarda-chuva, telefone, espanador, além de peças do figurino - levam o espectador de um ambiente a outro, sem que ele saia do lugar.

Diante disso tudo, o público não deu atenção à pequena gafe de Regina Spósito, a atriz que interpreta Lígia, ao agradecer os aplausos da platéia. Depois das palmas, Regina disse obrigado "ao festival de Teatro de Curitiba". Maurício Tizumba, ator de Inácio e do professor Barreto, emendou em seguida, corrigindo o nome da cidade.

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