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ENTREVISTA/
Regina Spósito
"O carinho do público
é a maior prova de que conseguimos atingir nosso sonho"
Ao final de cada espetáculo, Maurício Tizumba, Regina Spósito,
e Taís Garayp, atores de O Homem que Sabia Português, descem do
palco para recolher a "contribuição financeira" da platéia. Essa
atitude, no fim das contas, aproxima artistas e público e é o melhor
termômetro para conferir a receptividade e o calor dos aplausos
e cumprimentos. Depois desse tête-a-tête com os recifenses, encantados
coma apresentação do grupo, a atriz Regina Spósito concedeu essa
entrevista exclusiva ao JC OnLine, ressaltando a importância
do teatro de rua. "Fazemos arte democrática, misturando o lírico
com o popular", define.
JC OnLine - É a primeira vez que vocês vêm ao Nordeste.
Quais as expectativas para o Festival?
Regina Spósito - Sempre ouvimos comentários muito bons sobre
o Festival do Recife dos outros grupos que já participaram, especialmente
do Galpão, de quem somos próximos. Nossa presença no Festival de
Curitiba, este ano, foi o impulso para que chegássemos até aqui,
graças à indicação de curadores que nos assistiram lá. O Brasil
tem um bom circuito de festivais de teatro e estamos, enfim, começando
a percorrê-lo.
JC OnLine - Como vocês avaliam essa interação com o público,
os cumprimentos da platéia, ao fim de cada espetáculo?
R.S. - Esse carinho do público é a maior prova de que
conseguimos atingir nosso sonho de levar qualidade para o teatro
de rua. Nessa opereta misturamos ária com samba, o erudito com o
popular, exploramos as diferenças sociais, sempre com muito humor.
Tentamos democratizar a arte e desmistificar a idéia de que o que
é erudito e de qualidade está estritamente ligado ao poder aquisitivo.
JC OnLine - Apesar de só haver uma apresentação programada
aqui no Recife, diante desse carinho do público não há como agendar
outra?
R.S. - Infelizmente não. No começo seriam cinco apresentações,
mas com os cortes no orçamento do Festival, tudo foi reduzido para
apenas uma. Mas o Festival do Recife pode se considerar vitorioso
pelo fato de ter se mantido, de continuar abrindo esse espaço para
apresentação dos grupos de outros estados, para que a população
tenha acesso a essas peças.
JC OnLine - A questão vocal é muito importante para quem
faz teatro, especialmente na rua. Como vocês trabalham esse aspecto?
R.S. - Somos cantores, antes de sermos atores. Temos
formação teatral, com cursos de interpretação e atuação, mas todos
trabalhamos com música desde sempre. O Homem que Sabia Português
é nossa segunda peça e estamos com ela há dois anos em cartaz. A
Cia Burlantins existe desde 1996 e estreamos com O Homem da Gravata
Florida, outro musical, também sob a direção do Chico Pelúcio.
JC OnLine - O que significa o nome da companhia, Burlantins?
R.S. - Burlantim é o nome dos primeiros saltimbancos
que se tem notícia no Brasil, viveram no início do século XVIII.
Eles percorriam o País com uma arte de rua, mambembe mesmo, o que
depois se transformou no circo, já próximo dos moldes como o conhecemos
hoje. Já no século XIX, o circo foi o grande responsável pela divulgação
da música brasileira pelo País.
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