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Happy
End alfineta modo de vida norte-americano
No fundo, uma história de amor. Um gângster que se
interessa por uma major do Exército da Salvação,
nos Estados Unidos do fim dos anos 30. Ela se deixa seduzir pelo
cheiro de uísque e pelo charme dos sobretudos e chapéus.
Para tentar conquistar a moça - que ainda hesita entre o
desejo e sua missão religiosa - ele esboça uma confissão,
numa cena ritualística, com cantos e discursos que lembram
sociedades como Alcoólicos ou Narcóticos Anônimos
e semelhantes.
Essa
é a síntese de Happy End, apresentado no primeiro
final de semana do Festival Recife do Teatro Nacional, pelo grupo
paulista Folias D'Arte. As encenações aconteceram
no Teatro Barreto Júnior, no Pina, apesar das cadeiras desconfotáveis
e do ar condicionado - que funcionava quando lhe dava na telha.
Dividida
em três atos, a peça demora para engrenar. O espectador
precisa de muita atenção para acompanhar a movimentação
dos - muitos - atores no palco. As falas são intermitentes,
entremeadas com canções, e em várias situações
não se compreende o que é dito. Talvez o Folias D'Arte
tenha sido prejudicado com a acústica do Barreto Júnior.
O
texto de Elisabeth Hauptmann faz citações a Nicolau
Maquiavel e, junto com as canções escritas por Bertolt
Brecht, Happy End faz críticas ao american way
of life, ao esquema moral e financeiro tão exaltado nos
Estados Unidos, empurrado como padrão mundo afora com todas
as suas falhas e incoerências.
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