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I Festival Recife do Teatro Nacional
De
20 a 30 de novembro de 1997
Homenageada: Arlete Salles
Número de peças exibidas: 15
Polêmica.
Nenhuma outra palavra caberia tão bem a abertura da primeira versão
do Festival Recife do Teatro Nacional. Escolhida para dar o pontapé
do evento e acabar de vez com a expectativa que se criou em torno
da experiência - até então inédita no Recife -, de sediar um festival
deste porte, a peça de Romero Andrade Lima, adaptada da obra de
Ariano Suassuna, A Pedra do Reino (foto), foi duramente vaiada
durante 30 minutos seguidos.
Era o começo de tudo. As vaias vieram da mesma platéia que ovacionou
e levou à emoção a homenageada da noite, a atriz pernambucana Arlete
Salles. O motivo: a peça era acusada pela sociedade teatral pernambucana
de ser elitista, ter consumido uma das maiores verdas do Festival,
além de ser considerada feita de última hora, apenas para o evento.
O tom de amadorismo ficou claro, quando, na metade da encenação,
a monotonia da leitura dramatizada com que estava sendo conduzida
a peça fez com que grande parte dos presentes fosse tomar um 'cafezinho'
no salão de recepção do teatro.
A alteração dos ânimos aconteceu no Teatro do Parque, lotado. Do
público, fazia parte o então prefeito do Recife, Roberto Magalhães,
o secretário de Cultura, Raul Henry, o vice-presidente da República,
Marco Maciel, além do próprio Ariano Suassuna que, depois amenizado
o impasse, afirmou que estava se sentindo como se tivesse voltado
aos 18 anos de idade.
O
tom audaz do texto que marcou o início do Festival por pouco não
se tornou um monólogo. Os dias seguintes foram movimentados, mas
o discurso terminou se dissipando. Durante dez dias, grandes trupes
locais e nacionais encheram as casas de teatro do Recife do melhor
da dramaturgia produzida no País. Para a classe artística, a chance
da reciclagem.
Para o público em geral, a chance de ver - a preços não tão acessíveis
quanto nos anos seguintes - clássicos como Um Molière Imaginário
e A Rua da Amargura, do grupo Galpão (MG), até o pós-modernismo
antropofágico de Zé Celso Martinez Corrêa, em Pra dar um
Fim no Juízo de Deus (SP).
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II Festival Recife do Teatro Nacional
19
a 29 de novembro de 1998
Homenageado: Hermilo Borba Filho
Número de peças exibidas: 18
O
II Festival Recife do Teatro Nacional começou com algumas mudanças
e outras tantas lamentações. Por conta do corte de verbas, algumas
companhias, já agendadas para o evento, tiveram que ser canceladas
de última hora.
Nas mudanças, a boa notícia. Para tentar reverter a falta de público
da primeira versão, desconto de 50% nas entradas e o cancelamento
da venda dos pacotes antecipados para todos os dias do festival.
Resultado: casas cheias e participação efetiva do público.
O homenageado do ano foi Hermilo Borba Filho, que teve o seu devido
resgate através de Antônio Cadengue e sua Cia. Teatro de Seraphim.
O diretor assumiu dupla responsabilidade e teve nas mãos o dever
de abrir, com efeito reverso, o evento - que na edição anterior
deu o que falar - e, ainda, colocar à prova sua visão/direção de
Sobrados e Mocambos (foto), escrita pelo dono das homenagens,
que por sua vez adaptou para o teatro da obra de Gilberto Freyre,
Sobrados e Mucambos.
Um dos destaques de 98 foi para a Companhia do Latão (SP), que trouxe
uma releitura curiosa sobre a sociedade recifense do século XIX,
em O Nome do Sujeito, e terminou abocanhando vários fãs para
as bandas de cá. José Celso Martinez Corrêa, como não poderia
deixar de ser, trouxe polêmica com Álbum de Família (Núcleo
de Pesquisa Teatral/SP). A peça exibia cenas explícitas de sexo,
que chegaram a deixar rubras as espectadoras mais tímidas.
Da Região, o Grupo Imbuaça (SE), mostrou o caricato Auto da Barca
do Inferno. A diferença: neste ano o teatro subiu ao morro,
e foi representado junto da comunidade, em Casa Amarela. De casa,
além do Sobrados (...), Érico José apresentou Antônio Conselheiro
(foto) e o GM Entertainment atacou de Molière, com O Avarento.
Depois de dois anos de reclusão, volta à cena a terceira versão
do Festival. E quebrem as pernas.
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