Homenageado
  Em seu centenário, Valdemar de Oliveira é sinônimo de teatro


Valdemar de OliveiraOs números são vultuosos: 59 anos de vida, 110 peças montadas, 18 autores nacionais encenados, 36 textos estrangeiros levados ao palco, mais de 800 atores em suas coxias, 54 excursões pelo Brasil. A história do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP) representa a importância que o teatro possuía na vida de Valdemar de Oliveira, criador e idealizador do grupo cênico mais antigo em atividade no País. No ano de seu centenário de nascimento, o III Festival Recife do Teatro Nacional presta uma homenagem ao professor, médico, advogado, jornalista e músico que dedicou grande parte de sua vida aos mistérios e segredos existentes no palco.

O TAP surgiu a partir de um convite de Otávio de Freitas, que chamou Valdemar para organizar uma "noite de arte" em comemoração aos 100 anos da Sociedade de Medicina de Pernambuco, em 1941. O dramaturgo sugeriu a encenação de Dr. Knock ou O Trunfo da Medicina, mas com o elenco formado somente por médicos e suas esposas. No dia 04 de abril, os "atores" subiram ao palco e foram aplaudidos, dando início ao que seria chamado, pouco depois, de Teatro de Amadores de Pernambuco. Neste mesmo ano aconteceu a primeira excursão do TAP, para Natal e Fortaleza - nesta última cidade, para encenar Por Causa de Você, do pernambucano radicado no Ceará Silvano Serra. Ainda em 41 o grupo montou Primerose, Uma Mulher Sem Importância e O Processo de Mary Dugan.

A história de Valdemar de Oliveira com o teatro começou em 1926, quando o filho de seu Bianor e dona Badoquinha compôs sua primeira opereta, Berenice. A produção mais cara já vista no Recife até então contava com 120 atores amadores e uma orquestra. O sucesso foi tamanho que Berenice virou nome de perfume, pasta de dentes e até mesmo de brilhantina. Em julho do mesmo ano, Aves de Arribação entrou em cartaz na cidade. Na estréia, o próprio Valdemar comandou o piano, pois a orquestra ainda não havia sido contratada. O espetáculo viajou todo o país com a companhia de Vicente Celestino. Várias outras peças se seguiram: A Rosa Vermelha, Madrinha dos Cadetes, Lindamor, Ninho Azul e Bob Bobete.

Diná de OliveiraMUSA - Dois anos depois, Valdemar casa-se com Esmeraldina Sarmento da Rosa Borges, que passou a ser musa e principal atriz do trabalho do teatrólogo. Conhecida publicamente como Diná de Oliveira (foto), ela encarnou diversas personagens, participando de 65 peças. Paralelo ao trabalho no teatro, Valdemar ocupou várias cátedras no ensino superior do Estado: era o titular na disciplina de Higiene na Faculdade de Medicina e também lecionou na Faculdade de Filosofia, participando, ainda, da criação da Faculdade de Ciências Médicas.

Os anos 30 e o sucesso das chanchadas desviou o foco do trabalho de Valdemar de Oliveira que, desencantado com o público da época - na sua opinião, a platéia estava "se estrgando" ao assistir espetáculos daquele estilo -, resolveu investir nas crianças. Funda o Teatro Infantil de Pernambuco e leva ao palco do Teatro de Santa Isabel, com excelente repercussão, os musicais A Princesa Rosalinda, Terra Adorada e Em Marcha, Brasil.

A homenagem a Valdemar de Oliveira no III Festival Recife do Teatro Nacional envolve a apresentação, na primeira noite do evento, de Um Sábado em 30, de Luiz Marinho, uma das produções mais conhecidas do TAP. O hall do Teatro do Parque vai abrigar, ainda, uma exposição com o acervo do dramaturgo. Um seminário sobre sua vida e obra encerra o ciclo, no teatro que leva seu nome, na Praça Oswaldo Cruz.