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Recife, 02/04/97
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BAIXA ESTAÇÃO
Como preservar o bolso durante a viagem
por CECÍLIA BELTRÃO
O mês de julho é sempre o mais esperado para realizar
aquela tão sonhada viagem. Entretanto, escolhê-lo para
viajar pode trazer alguns contratempos: vôos e hotéis
lotados, filas enormes em museus, tumultos nos
aeroportos e por aí vai. É nessa hora que a gente lembra
que o ano tem doze meses. E que a chamada baixa
estação (meses de pouco movimento turístico) pode
nos proporcionar férias bem mais prazerosas. A
começar pelo bolso.
As passagens na baixa estação recebem bons
descontos na tentativa de atrair consumidores. Para se
ter uma idéia, um bilhete aéreo Recife/Manaus em março
ou abril custa (com os descontos da época)
aproximadamente R$ 535,88, o que, na alta temporada,
atinge R$ 750,24. Para quem escolhe viajar na baixa, a
diferença dos dois preços já daria para pagar quatro
diárias em um hotel três estrelas.
Os pacotes internacionais oferecidos pelas agências de
turismo também são bem mais atraentes entre fevereiro
e junho ou entre agosto e novembro (geralmente os
meses em que são menos procurados). Sete dias na
dobradinha Miami/Orlando, por exemplo, sai, na baixa,
por volta de US$ 1.300,00. Em janeiro (considerado mês
de média temporada), sobe para US$ 1.500,00 e, em
julho, para US$ 1.700,00. Com a diferença dos valores
entre a baixa e a alta temporada (US$ 400,00), dá para
fazer as três refeições diárias ao valor de US$ 15,00 cada
e ainda sobram US$ 85,00 para gastar com bichos de
pelúcia ou algo mais útil.
O valor da hospedagem segue essa mesma tendência.
Sem precisar cruzar fronteiras, os hotéis do Recife nos
mostram bons exemplos das diferenças entre uma diária
no início ou no meio do ano para o restante do período.
Segundo o presidente da Associação Brasileira da
Indústria de Hotéis (ABIH) em Pernambuco, José
Tavares Correia, um hotel três estrelas cobra em média
R$ 70,00 na alta estação e R$ 50,00 na baixa. Já em um
cinco ou quatro estrelas as diárias custam R$ 120,00, na
alta, e R$ 70,00, na baixa. O aluguel de carros também
fica mais barato. O valor do quilômetro rodado sofre um
desconto de mais ou menos 30% na baixa estação.
Agora, deixemos o bolso de lado e analisemos as
inúmeras outras vantagens reservadas pelo período de
baixa. Primeiro, a chance de não embarcar por conta de
vôo lotado são mínimas - os famosos overbooks só
acontecem no período de alta tamporada, quando a
quantidade de passageiros ultrapassa o limite da
capacidade do avião. Segundo, as filas quilométricas
para assistir aquele espetáculo tão comentado se
reduzem em 90%. Terceiro, a qualidade dos serviços
tende a melhorar - o atendimento nos restaurantes é
mais rápido, o carro que você escolheu para alugar não
está locado, enfim, todo o estresse ocasionado pelo
excesso de turistas nos meses de alta estação é
eliminado.
O empresário Alfredo Soares, que viaja há quarenta
anos conhece muito bem essas vantagens. Além de
saber que, na baixa estação, as estradas estão menos
congestionadas, e os hotéis, mais baratos, ele já
relaciona o período que viaja aos atrativos naturais de
cada lugar. "Setembro, por exemplo, é o melhor mês para
estar na Europa. É época de outono, as árvores estão
belas, vermelhas e o frio ainda não está insuportável",
diz. Para ele, maio e abril são os melhores meses para
viajar aos Estados Unidos. "É o início do verão
americano, o clima está bom e não há o tumulto das
férias".
O engenheiro civil, Arthur Lopes Araújo, que viaja
frequentemente, também é da mesma opinião. "A
loucura da alta temporada faz o turista perder muito
tempo em determinados lugares", lembra. Para ele, a
maior vantagem, além dos preços, é a facilidade de
acomodação. "Quando a gente tem segurança para
viajar sozinho, sem a organização prévia de uma agência
de viagens, a baixa temporada nos dá a garantia de
estadia em qualquer lugar". Além disso, ele é categórico
ao afirmar: a baixa estação é o período em que se
consegue ver as mesmas coisas pelo melhor preço.
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