ENERGIA: Biodiesel deve aumentar sua participação no mercado até 2030      MERCADO:  Shopping Iguatemi deve ter ações em Bolsa    NÍVEL DE ATIVIDADE:  Custo de vida em São Paulo fecha outubro em 0,27%     CHINA:   Superávit comercial chinês bate recorde em outubro

EXPEDIENTE

© 2006 Dinheiro Vivo
Agência de Informações SA.
Todos os direitos reservados

INTERNACIONAL
A desaceleração nos EUA e os seus efeitos no mercado

Ao contrário do que aconteceu nos últimos quatro anos, quando o mercado global registrou seus melhores indicadores de crescimento, o próximo presidente do Brasil vai encontrar um quadro econômico global propenso para a desaceleração, especialmente nos Estados Unidos. Estudo divulgado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) indica que a economia norte-americana deve sair de uma expansão de 3,4% neste ano para cerca de 2,9% em 2007 - o impacto no PIB global deve chegar a 0,2 ponto percentual.

Com o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) mantendo os juros estáveis em 5,25%, os indicadores macroeconômicos mostram que a trajetória é de estabilidade ao menos até o começo de 2007, com grandes possibilidades de queda a partir do segundo semestre. Entretanto, isso depende de como a economia dos EUA vai responder ao aperto monetário, uma vez que os efeitos estão no início e a autoridade monetária vai tomar medidas mais drásticas caso o desaquecimento fique acima do esperado.

Um ponto de referência importante será o comportamento da inflação – e um importante vetor nesse sentido é o preço do petróleo. Embora a média da cotação do barril esteja em torno de US$ 60, a entrada do inverno no final do ano pode causar algum repique nos preços, com efeitos nos índices de inflação.

A postura conservadora do Fed será mantida enquanto os índices não caírem de forma expressiva. A intenção é garantir que os indicadores estejam mais baixos daqui a um ano, pelo menos. No momento em que a pressão for menor, é grande a possibilidade dos juros seguirem o mesmo caminho. Outros pontos também vão merecer uma análise mais criteriosa dos investidores em 2007, entre os quais:

Mercado imobiliário: nos últimos anos, o segmento está excessivamente aquecido, tanto em termos de preços quanto de quantidade. Os ajustes nos juros parecem ter dado início ao processo de desinflação da temida bolha imobiliária. A questão é saber o tamanho do impacto no consumo e no crescimento em 2007, uma vez que grande parte do lucro obtido com as vendas dos imóveis era destinado ao consumo;

Déficits gêmeos: hoje, as dívidas de conta corrente e fiscal dos EUA equivalem a 10% do PIB daquele país. Em qualquer nação do mundo, tal desequilíbrio teria gerado uma massiva desvalorização da moeda, alta de juros e recessão econômica. Porém, a manutenção do ritmo de compra de títulos emitidos pelo governo mantém o quadro equilibrado.

Além disso, o dinamismo do setor industrial permanece estável – uma análise dos dados da indústria americana mostra que a produção dos bens não-duráveis está acima da média histórica. O ritmo deve se manter principalmente se considerarmos o setor de serviços, responsável por 60% da economia norte-americana.

Embora não se saiba ao certo o tamanho do impacto da desaceleração econômica global no Brasil, o próximo presidente terá de se adequar às movimentações para garantir a saúde da economia. Além de aumentar o rigor com os juros e impulsionar a realização das reformas, medidas deverão ser tomadas para amenizar o impacto do dólar desvalorizado junto a alguns setores exportadores, como soja, carnes, calçados, têxtil e automobilístico.

Da Redação