Esse instrumento foi fabricado pelo luthier paulista Márcio Zaganin. Ao longo do tempo que tenho sido músico, tive a oportunidade de tocar em muitos instrumentos diferentes, e assim 'colecionar' as qualidades que mais me atrairam em cada um deles.
Por incrível que pareça, a idéia de construir um instrumento que juntasse essas qualidades nunca me empolgou muito...alguns luthiers bons se prendem somente a um ou outro shape [ plástica do instrumento, aparência] pré estabelecido...ou outros não tinham o material que eu desejaria ter num baixo...então essa era uma idéia adormecida. Até que tive a oportunidade de ver o baixo do grande Serginho Carvalho [ toca com Djavan]...fiquei literalmente assustado... mesmo! Já tinha ouvido e visto de longe, no show e no dvd, e já tinha a certeza absoluta de que era um Fodera. E não era nada. Era um produto feito por um brasileiro que não deixa NADA a dever ao dito cujo, muito pelo contrário, tem muita coisa melhor. O preço, por exemplo...

Mas voltando ao baixo...liguei, marquei uma visita, fui até ele, ali na Vila Madalena. Já saquei a onda do cara de primeira, um cara sério, sem aquela de nhém nhém nhém, sem aquele papo 171 é isso aí, véio que eu estou de saco cheio. Falei do desenho do baixo do Serginho, que gostei muito, mas que pra minha estatura e pro som que eu estava buscando poderia ter um pouco mais de madeira. Falei também do Fender Jazz Bass, [que por sinal ele também faz uns baixos da pesada com esse shape ] que era o shape de baixo em que me sentia mais confortável. E da sonoridade e tensão das cordas que eu gosto, e que são características dos Fender. Ele me mostrou então um desenho que ele desenvolveu com o também super baixista Robinho [ a partir do baixo do Serginho - que originalmente se inspirou num modelo dos Fodera].

 

Pusemos ainda um pouco mais de madeira e umas curvas diferentes, baseadas no Jazz Bass. Vimos também as dimensões do JB, espessuras do corpo [ 45mm, não adianta querer som sem uma quantidade direita de madeira], braço, distâncias principais do corpo do baixo, e aquele espaçamento espetacular entre cordas do JB, 20mm. E ainda o meu desejo principal, ter um baixo de 5 cordas que não fosse com aquela corda si frouxa, sabem do que eu estou falando? Normalmente os baixos de 5 cordas têm uma tensão muito baixa, pra minha maneira de tocar.

Ah, e o grande lance, ele tinha as madeiras que eu desejava, para o braço maplle, e pro corpo, ash. As mesmas madeiras dos meus dois JB... e escala de ébano. Pro espaçamento que eu queria tivemos que optar pela ponte Badass V. Eu queria captadores passivos [ que nem os JB] , então optamos por colocar 2 Seymor Duncan j , modelo Bass Line, passivos, singles, com um pré também da Seymor Duncan.

O circuito tem dos volumes [ um dos potenciômetros pode ser puxado pra dar um boost do que se determinar num ajuste dentro do baixo} um controle de médios e grave e agudo. Acabamento sem tinta, só seladora e verniz mesmo. E meio fosco.

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Depois de 2 meses - com o Natal e Ano Novo no meio - tava pronto. Uma arraso, dimensões tensão das cordas e som do JB, só que envenenado como poder do pré...acabamento sobrenatural, como dá pra ver nas fotos...o shape sem aquela ponta em cima, comum a todos os baixos, trocado pro um contato maior entre o corpo e o braço do instrumento dá uma cara super ' pouco usual ' e uma estabilidade do braço inacreditável.

Pra quem pensa em fazer um instrumento, eu recomendo mesmo ir se consultar com o cara...eu mesmo já tô indo fazer um outro fretless de 5 cordas daqui a pouco...se liga:


Márcio Zaganin, (11)3872 7497
www.nzaganin.com

André Rodrigues