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Alex Flemming é um artista
brasileiro radicado há vários anos em Berlim,
na Alemanha, onde desenvolve seu trabalho com a mente e a
sensibilidade voltadas às pesquisas mais
avançadas da arte, sintonizado ao que existe de mais
contemporâneo, num dos centros europeus de
produção artística mais fervilhantes e
influentes.
Mas apesar dessa sintonia contemporânea e
européia, ele é fundamentalmente um artista de
raízes brasileiras, urbano e de uma certa forma,
erudito e sofisticado.
Porque Alex Flemming é reflexivo, inquieto e
experimentador, com uma lógica e uma coerência
que surpreende quando se observa a linha de seu trabalho,
desde os tempos em que, abandonando a fotografia tornada
gravura em metal ou a pintura de cavalete, realizada com
máscaras e tintas fosforecentes e luminosas, adotou
os objetos colecionados e modificados, reinstalados nos
ambientes da arte.
Foi assim com sua série de cabeças de bovinos,
pintadas de azul à Yves Klein, erigidas como totens
sobre tonéis, apresentadas na escadaria do MASP anos
atrás e a série dos animais taxidermizados,
pintados e suspensos com iconoclastia pelo artista, em
andaimes e escadas de metal.
Obras chocantes e polêmicas.
A pesquisa e a inquietude perpétuas do artista sempre
resultaram em obras, sensações e muitas
discussões acirradas. Essa forma de questionar
também é um dos papéis exigidos ao
artista contemporâneo. E Flemming, consciente e
sensível a isso, cumpre seu papel com vigor.
Arthur Luis Piza, outro consagrado artista brasileiro na
Europa (um dos poucos que lá são
verdadeiramente reconhecidos e que vivem efetivamente de seu
trabalho) indica a qualidade de Flemming : "Ele faz um
trabalho interessante, que surpreende, que é
percebido e respeitado na Alemanha pela sua originalidade.
Agora, por exemplo, ele rastreia as ruas de Berlim e vai
recolhendo poltronas e cadeiras abandonadas pelos
alemães e as transforma em obras de arte,
espécies de 'ready-mades' dadaístas
atualizados, reciclados pela pintura e por
intervenções que ele incorpora e que nos
estimulam a processos de reflexão..."
São essas "esculturas-pinturas" que podemos observar
agora no site de Alex Flemming, dentro do Projeto
Difusão Animae.
A anexação de textos da imprensa, recolhidos
em atenta garimpagem, reescritos formalmente como se fossem
poemas concretos, pinçados que foram do cotidiano
pelo artista e modificados de sua função
inicial da informação jornalística
trivial e periférica, nos remetem à
percepção de suas sub-leituras e a uma pompa
inesperada pela sua mescla com a pintura impressionante e
acrílica, revestindo com fina ironia àqueles
móveis anteriormente rejeitados e enviados ao lixo e
que agora assumem, com a intensidade dos significados
artísticos, novos e severos papéis, de
hierarquia e simbologia quase litúrgica, plantados
silenciosamente no interior dos templos da arte.
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