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Alfredo Aquino nunca deixou de se
perguntar "a arte morreu?", como deram a entender alguns
modernistas durante os anos 20. A esta questão
angustiante, ele responde à sua maneira, numa busca
perpétua que já dura mais de vinte anos.
A exposição de desenhos ilustrando" Os
Sertões" de Euclides da Cunha, apresentada por Pietro
Maria Bardi no MASP, em 1978, foi saudada como um
acontecimento importante. A expressão da dor e do
patético, do destino, do destino trágico de
todo um povo, estava ali representada por um desenho de
força incomum. Apesar de abandonar rapidamente este
modo de expressão para consagrar-se a uma busca mais
exigente, Alfredo Aquino não abre mão da carga
emotiva que caracteriza seus desenhos, e que continua a
existir em suas obras posteriores. O desafio de Alfredo
Aquino foi, e continua sendo, a realização do
que ele próprio chama de "texto pictural". A pintura
torna-se ao mesmo tempo linguagem, objeto em si e suporte
para uma comunicação com o espectador.
Não se trata mais de um diálogo
clássico entre o artista e seu público, mas da
procura de um novo código, de uma nova linguagem para
uma comunicação cultural entre os
indivíduos. As obras atuais de Alfredo Aquino
são o fruto de um longo trabalho de
epuração das formas, com o intuito de
conservar somente o essencial, sem ceder à
tentação do intelectualismo e do hermetismo. O
artista possui grande habilidade técnica e
sensibilidade das formas, cores e texturas. Ele apela para a
sensibilidade e a emoção do espectador,
criando um universo onde o sonho e imaginação
transcendem o real. No seu trabalho sobre o corpo feminino,
especialmente, os tons pastéis unem-se a linhas
sóbrias e rigorosas para resultar numa poesia das
formas e da cor. Qualquer referência ao real
ordinário, ao documento ou ao folclore é
abandonada em benefício da busca de uma linguagem
original e universal. Mas existe também uma parte de
mistério que deve ser desvendada pelo espectador.
Aliás, a questão da comunicação
e da participação do público
está no centro das preocupações de
Alfredo Aquino. O sentido da busca e sua obra de artista
caminham paralelamente. Ele estabeleceu uma nova
relação com o seu público -
relação interativa, que possibilita o acesso a
obras virtuais graças às novas tecnologias de
comunicação, como a internet. O "texto
pictural", o código elaborado a partir do grafismo e
da textura, das cores e das formas superpostas, pode ser
decifrado e recomposto pelo espectador, num verdadeiro
diálogo e, por vezes, num prolongamento da obra do
artista.Nesse sentido, as obras de Alfredo Aquino não
são objetos fixos submetidos ao olhar, mas um
pretexto para reflexão ou uma criação
do próprio espectador.
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