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Escultor do seu
tempo

xistem artistas concentrados no seu
trabalho, no métier, no seu mundo pessoal e fazem
desse universo um manancial de descobertas, de prazeres
sensitivos e intelectuais, o que é muito interessante
quando se constata o resultado nas obras de arte produzidas.
Muitos são os exemplos dessa
concentração.
Outros artistas, além de criar e realizar obras
personais (e aqui a qualidade está diretamente
amalgamada ao talento) também são vetores do
fenômeno cultural, estimuladores de outros artistas,
divulgadores eficazes da idéia da arte entre os
indivíduos e comunidades, contribuindo para uma
alteração da percepção do
universo artístico, que se torna assim ampliado por
sua ação.
São pouquíssimos os artistas que tem essa
disposição, que possuem esse carisma e esse
poder multiplicador dos fatos artísticos. Emanoel
Araújo é um desses iluminados.
Ele é um artista que alcança um lugar muito
significativo no panorama da arte contemporânea
brasileira, com sua escultura coerente, límpida e
harmônica de formas, instigante, remissiva às
próprias raízes e reverenciadora do belo
inventado.
Na sua obra de produção e acabamento
irrepreensíveis, transita a herança dos tempos
numa vertigem de futuro antecipado, onde um classicismo
elegante e isento se constrói, arriscado, em agudas
referências (quem poderia afirmar, inconscientes?)
às sínteses mais atávicas de suas
origens negras e bahianas.
Assim foi sua história desde as primeiras
xilogravuras (gravuras resultantes do desenho planificado e
escavado em matrizes de madeira) chegando às
esculturas de grande formato e aos relevos, onde materiais
como ferro, aço e madeira se impõem com suas
cores, de incontida audácia, contrastadas, vermelho e
negro algumas vezes.
Na carreira do grande escultor juntou-se o idealismo e a
eficiência do incentivador que semeia e multiplica os
eventos da arte, que ama a atividade artística,
realiza o esforço generoso de sua
divulgação (por mais árdua que ela
seja), e sendo preciso nesse saber fazer, desenrola a
história e chama a atenção para uma
fonte de conhecimentos, descobertas e
satisfações.
Ao longo de muitos anos a frente de museus e casas de
cultura (em especial, a se destacar a Pinacoteca do Estado,
de São Paulo), Emanoel Araújo introduziu uma
dinâmica, consistente, que resultou no acesso do
grande público, de maneira muito organizada, a
várias exposições de nível
internacional, além da melhoria considerável
dos equipamentos e dos espaços, para se ver arte
confortavelmente.
Um encontro do talento com a sabedoria.
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