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As esculturas.
As esculturas de Ianelli estão revestidas de sua maneira de pensar
arte. São formas abstratas e sintéticas, que não tangenciam o conceito
minimalista.
São peças clássico-contemporâneas, se é que podemos chamá-las
assim, sem cometer iconoclastias. Isso porque revelam claramente
o prazer do mètier, a sabedoria conquistada na manipulação dos materiais,
a obsessão da descoberta no plano do pensamento inicial que se desenvolve
e se adensa na realização da obra, conseqüente com a sua requintada
e exaustiva elaboração no ofício da pintura.
São esculturas apolíneas, exatas - isentas de excessos.
Obras de construção refinada, que se fazem em suporte clássico
(mármore de Carrara) e que trazem a imponência contida da síntese
formal do artista. São precisas e sedutoras ao tato, de polidez
e frescor cativantes, na luminosidade suave do material, nobre e
raro.
Rara também é a notável coerência de sua proposta escultórica,
se observada sob o reflexo de sua produção em pintura.
São concepções diferentes, certamente, de seu caminho pictórico
atual, com as texturas e as transparências que enriquecem a série
de “Vibrações“ (pinturas em óleo sobre tela onde se pode testemunhar
a qualidade das cores inventadas com denodo), obras impressionantes
que o individualizam, inclusive, internacionalmente.
Mas as suas esculturas mostram-se também identificadas àquelas
pinturas - sensivelmente - pelas passagens sutilissimas das áreas
de sombras, que, frente ao nosso olhar, refazem os jogos de cores
nas superficies polidas, às vezes em contrapontos que sugerem ritmos
e nos oferecem os grandes planos iluminados, as reentrâncias e as
curvas com as passagens de luzes e sombras que nunca são enfáticas,
acidentais ou simbólicas.
Assim, agora - na escultura de Arcangelo Ianelli - corporifica-se
uma proposta artística que recria uma linguagem de sínteses.
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