O rigor e a mestria de um artista inquieto, numa linguagem de sínteses.

A limpeza visual surpreende; a concisão das linhas e dos volumes causa emoção.

Esses valores estão nas esculturas realizadas por Arcangelo Ianelli.

Com um rigor idêntico ao empregado pelo artista quando procura obsessivamente a cor em pintura, utilizando ali a sua vasta experiência e buscando uma simplicidade dificilima de ser encontrada.

É nesta mesma vertente de pensamento que o artista foi encontrar uma linguagem original, para construir aqui sua obra em escultura.

Uma obra inédita, que foi sendo desenvolvida paralelamente ao seu re- conhecido trabalho em pintura - discretamente e sem exposições públicas exclusivas - desde que iniciou essa pesquisa e o seu trabalho sistemático em escultura, há 20 atrás.

   
   
   
 

Portanto, não é obra que começou a ser pensada recentemente - ela vem sendo trabalhada há muito tempo, amadureceu lentamente, alcançou plenitude e somente agora o artista decidiu mostrá-la.

Uma surpresa que se revelará extraordinariamente fascinante para todos, acostumados ao método singular de sua evolução. Método rigoroso onde chama a atenção a inquietude em buscar as mudanças (coerentes) na evolução em sua linguagem artística e que se revestem de uma ousadia admirável e complementar: Ianelli sempre envereda na busca das transformações, aparentemente, nos momentos de ápice do reconhecimento, ou seja naqueles em que a nova fase começa a ser saudada e aceita com entusiasmo pelo público aficcionado.

Mudar nos momentos em que se alcança uma certa unanimidade, um comportamento que caracterizou Arcangelo Ianelli ao longo de uma sólida carreira.

Destemido, o artista sempre agiu assim, aceitando e enfrentando os desafios interiores.

Agora ele nos remete uma vez mais ao seu processo de descobrimento : o dos volumes e das nuances de sombras, o desafio da tridimensionalidade; revela-nos o momento em que o pintor das cores elaboradas se faz escultor e trabalha (nos volumes imaculados) os cromatismos das passagens delicadas de grises em formas de síntese extrema, esculpidas em mármore de Carrara, em grandes formatos.

Faceta de elegância inevitável, a de escultor, na concepção de um mestre inquieto que se impõe desafios e aponta caminhos interessantes (na pintura) e agora de um jeito que muito surpreende - na escultura, onde Ianelli igualmente apresenta obra personal e notavelmente identificada com sua assinatura de artista maior.

   
   
 
   
 

As esculturas.

As esculturas de Ianelli estão revestidas de sua maneira de pensar arte. São formas abstratas e sintéticas, que não tangenciam o conceito minimalista.

São peças clássico-contemporâneas, se é que podemos chamá-las assim, sem cometer iconoclastias. Isso porque revelam claramente o prazer do mètier, a sabedoria conquistada na manipulação dos materiais, a obsessão da descoberta no plano do pensamento inicial que se desenvolve e se adensa na realização da obra, conseqüente com a sua requintada e exaustiva elaboração no ofício da pintura.

São esculturas apolíneas, exatas - isentas de excessos.

Obras de construção refinada, que se fazem em suporte clássico (mármore de Carrara) e que trazem a imponência contida da síntese formal do artista. São precisas e sedutoras ao tato, de polidez e frescor cativantes, na luminosidade suave do material, nobre e raro.

Rara também é a notável coerência de sua proposta escultórica, se observada sob o reflexo de sua produção em pintura.

São concepções diferentes, certamente, de seu caminho pictórico atual, com as texturas e as transparências que enriquecem a série de “Vibrações“ (pinturas em óleo sobre tela onde se pode testemunhar a qualidade das cores inventadas com denodo), obras impressionantes que o individualizam, inclusive, internacionalmente.

Mas as suas esculturas mostram-se também identificadas àquelas pinturas - sensivelmente - pelas passagens sutilissimas das áreas de sombras, que, frente ao nosso olhar, refazem os jogos de cores nas superficies polidas, às vezes em contrapontos que sugerem ritmos e nos oferecem os grandes planos iluminados, as reentrâncias e as curvas com as passagens de luzes e sombras que nunca são enfáticas, acidentais ou simbólicas.

Assim, agora - na escultura de Arcangelo Ianelli - corporifica-se uma proposta artística que recria uma linguagem de sínteses.

 
 

 

 
Animae