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Síntese
reiventada

anfredo de Souzanetto, desde seus primeiros
momentos como artista, buscou a síntese como maneira
de expressão mais pessoal.
Uma síntese de cor e de formas. As cores são
encontradas na natureza, em pigmentos naturais de terra
sintetizados com resina acrílica, aplicados sobre
telas de linho ou tecidos de juta rústicos, em
formatos autônomos, redesenhados com liberdade pelo
artista, livrando-o dos compromissos do chassis retangular
tradicional, do geometrismo retilíneo e
matematicamente racionalista.
Uma ousadia - fruto de sua reflexão individual e que
estimula a proliferação de reflexões em
todos os que tem contato com sua proposta .
Num primeiro instante essa busca da síntese, nos tons
surdos e terrosos, no desenho caprichoso e comandante da
forma às composições criadas de maneira
quase minimalista, pode nos causar o impacto de algo
estranho, estruturado de maneira incomum pelo artista.
No instante segundo, essa síntese reinventada nos
cativa e nos faz desejar ver mais, observar como o artista
trafega em seu próprio alfabeto de formas e como nos
alimenta com essa pequena gama de cores primevas e
coerentes.
Nessa sua liberdade de elaborar novas formas, Manfredo
abandonou as regras da bidimensionalidade e foi incorporando
um aspecto escultórico inevitável no percurso
de sua poética pictórica. Seus quadros
avançaram das paredes, soltando-se na curva
arquitetônica, apresentam agora volumes e suas cores
atuam com sombras acessórias, projetadas ou
refletidas, enriquecendo bastante a leitura que se pode
fazer dessa sua obra que vai evoluindo serenamente.
Sabe-se assim da extrema seriedade que esse artista maduro e
criativo coloca na arte que produz, justificando os aspectos
inovadores que procura agregar aos elementos que utiliza e
que identificam seu trabalho - sempre muito simples, muito
sintéticos, contidos numa elegância insuspeita,
quase erudita - e que nos permite a
confirmação de um grau muito elevado de prazer
na observação de suas descobertas.
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